Cuidado com o futuro.

Não somos perfeitos, claro que não.


E não gostamos de quem seja, porque estaria acima de nós.

Preferimos sempre alguém igual a nós, aquele que senta num prego, ou

que vive com eterna dor de barriga.

Ainda preferimos àquele que confunde a geladeira com a escrivaninha.

E que nem sabemos o que ele guarda ou deposita na privada.

Preferimos pessoas igual a nós, que precisam de Terapia da Revitalização.



Temos total receio de nosso patrão que se acha um quase perfeito,

porque está por cima, estudou mais ou teve mais sorte.

Ele mesmo, que nunca reconhece nosso esforço.

E quando pensamos em pedir um simples aumento, ele está em constante “reunião”

E por que não comentar que muitas vezes estamos no limite de nossa

paciência e só não pedimos a conta por causa daquela secretária que

está louquinha por nós, ou a recepcionista que está afinzona.

E quantas vezes não caímos na tentação de ganhar na loteria e chutar o

traseiro de nosso chefe tão forte, quer precisaria do Resgate do SUS

para retirar o sapato nele.

Não fazemos isso, também esse desejo não sai do nosso pensamento.



Não admitimos alguém que não cometa alguns dos sete pecados capitais

ou que fuja da regra dos dez mandamentos.

Se pensarmos que nós fugimos dos instintos básicos do ser humano,

estamos enganados.

Quem de nós não sentiria inveja se passa nosso vizinho com um carrinho

2010 e com um sorriso debochante à nossa frente sabendo que nós temos

um humilde carro igual, só que dez anos mais velho?



Quem resistiria de não cair de boca numa farta mesa cheia das nossas

sobremesas preferidas?



Ninguém deseja a morte de ninguém, mas o que pensar daquela tia que

vivia longe, no exterior, que nunca conhecemos e nos deixa meio milhão

de dólares em herança?

Não pensaríamos que já estava na hora dela empacotar?

Comigo aconteceu isso há algum tempo e tive que emitir um comunicado à

família do acontecido.

Mandei fazer uns cartões expressando assim as minhas condolências:

“A tia Laura e eu, passamos para uma vida melhor”.



Reza um mandamento que não devemos cobiçar a mulher alheia.

Todos nós sabemos que mulher não é um objeto, por tanto ela não tem dono.

Posso afirmar isso com toda ciência, sendo que em minha juventude,

éramos sete amigos no bairro, e no começo de nossas vidas tivemos uma

noiva “comunitária”.

A Maria era uns dias de cada um, era emprestada entre todos nós.

Ela nos ensinou muitas coisas, a descobrirmos, as nossas preferências,

em fim, nós devemos muito à Maria.

Quando perguntávamos a ela se era a nós que ela mais amava, de sua

boca saiam tantas verdades igualzinho à água que jorra das fontes do

deserto.



Se pensarmos que nunca falhamos no mandamento de não cobiçar a casa do

teu próximo, estamos enganados.

Cobiçamos sim.

Ou não sabemos que em certos lugares isto é impossível de negar.

Quando vivi um ano na Hungria, na casa dos meus bis avós paternos,

tive que me mudar e procurar uma casa de aluguel por causa do espaço.

E quem disse que existiam casas para alugar?

Em absoluto, era impossível achar alguma.

Até que um dia vi um cara caindo de uma ponte e corri em sua direção.

Ele acabou se afogando, não foi possível salva-lo.

Então fusei em seus bolsos e achei um cartão com seu endereço, ai

corri para a imobiliária do bairro, a única existente, e disse que eu

queria alugar esse imóvel, que o inquilino tinha acabado de falecer.

Me responderam de imediato que isto era impossível, que a casa já

estava alugada.

Perguntei mais como? O cara acabou de morrer, quem poderia ter vindo

antes do que eu?

A funcionária me respondeu: -O cara que o empurrou da ponte!



Em fim, não gostamos mesmo de seres perfeitos, só nossos heróis em quadrinhos.

Agora não devemos deixar de pensar que num futuro será tentado

fabricar seres, tipo robô quase perfeitos.

Tal vez isto aconteça daqui muitos anos, quiçá antes ou depois da

quarta guerra mundial, aquela que será disputada só com paus e pedras.

Então teremos um desfile de robô serventes, ajudantes para todas as utilidades.

Existirão as ninfas-robô, as work-robô, as office-robô, os war-robô,

as sexy-robô e algumas mais que serão necessárias.



Imaginemos então um caso inédito que pode acontecer, uma situação do dia a dia.



O Sr. Manuel é mecânico de robô e é chamado um dia para uma pequena

manutenção num robô doméstico.

-Sr. Manuel, pode dar uma verificada no meu robô que vou dar uma saída?

-Pode deixar minha senhora, vou dar sim uma olhada em geral.

-Até logo Sr. Manuel, volto mais tarde.



-Então belezura qual é o seu nome?

-Gizele

-OK Giz, vou mexer um pouco em vc, pode?

-Pode sim.

-Olha, por que vc não começa me dando a combinação do cofre que estou vendo ali?

-Acesso negado senhor.

-Vai Giz, só os numerinhos!

-Impossível sem a senha senhor.

-E qual é a senha, catzo?

-Senha inválida senhor.

-Então tudo bem agora vamos brincar um pouco, vc é muito bonitinha sabe?

-Não estou preparada para brincar senhor, aconselho procurar uma play-robô.

-Não, vamos fazer algumas bobagens só.

-De que tipo senhor?

-Vamos fazer nhe-nhe.

-Não faço nhe-nhe senhor.

-Então vamos fazer glu-glu.

-Desconfio pelo seu tom de voz que o senhor deva procurar uma sex-robô.

-Não, é vc mesma.

-Não recomendo usar uma office-robô para suas pretensas intenções.

-Ah, vc cuida do escritório e foi programada para isso né?

Só que agora eu vou te ensinar alguns truques e outras utilidades, vem cá!!!

-Não aconselho fazer isso, é inadequado senhor.

-Que nada Gizele, vc vai me agradecer pela aula!!

Assim, assim, AAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!

O QUE É ISSO GIZ????????

O que fizeram em vc?????????



Meu senhor isso ao qual se refere é um “apontador de lápis”

Só encostar o lápis que aponta automaticamente.

-Maledeta por que vc não me avisou?

-O senhor não perguntou.

-Quase acabaste com as jóias da família.

-Não sei que são as jóias da família.

-Esquece sua androidezinha biônica de uma figa!!!!!!



Em fim, esta é uma das historinhas que seria possível dentro do mundo

da cibernética que existirá sem dúvidas num futuro nem tão longínquo.

Teremos sim infinidade de máquinas quase perfeitas, com infinitas funções.

Só que existirá uma distância entre humanos e humanóides.

Os robôs poderão ter muitas atividades, mas nunca verdadeiros sentimentos.

Ai que está à diferença, nunca poderemos ama-los nem receber algum amor deles.