Muitas pessoas deixam no decorrer do tempo uma marca em nós.
Algumas são profundas, boas impressões, outras nem tanto.
Não posso deixar de lembrar de um conhecido que deixou uma impressão marcante.
Muitas vezes cogitei se ele estava certo ou errado.
Até hoje não consegui concluir o meu raciocínio, permanece sempre uma dúvida.
O Xavier tinha algo diferente aos amigos da nossa turma, vivia meio
afastado, pois ninguém concordava com o seu modo de proceder.
Tinha uma namorada fixa, a Isabelita, e ela era muito mal tratada por
ele, até humilhada.
Ele sempre dizia que ela era pobre, que não poderia proporcionar um
futuro feliz para ele.
Nós o aconselhávamos que ela era perfeita para ele, abnegada,
dedicada, muito paciente e gostava dele muito mesmo.
Ela tinha um grande amor por ele, e não era correspondida.
O Xavier era mulherengo, beberrão, fumava três maços por dia.
E não ligava para a dedicação que recebia da Isabelita.
Tinha no círculo dele algumas amizades que não valiam nada, e acabaram
levando ele a beira do abismo, com maus conselhos.
Um determinado dia aprontaram uma boa, deram um golpe monumental na praça.
Foi um golpe de mestre, mesmo que essa atitude não mereça elogios.
Foi tudo combinado com os colegas e muito bem planejado.
Uns amigos foram numa loja de eletrodomésticos e fizeram uma compra
milionária em móveis e eletrodomésticos. Contaram na loja que eram
dois casais que estavam a se casar e precisavam tudo que existe numa
casa.
Fizeram a compra, avisando que seria pago na entrega numa residência
ali pertinho, num bairro próximo.
Acontece que outra parte da turma foi até uma imobiliária a pedir a
chave do imóvel para visitá-lo, que estava para alugar.
A casa era muito grande, com frente para duas ruas.
Aí aconteceu de chegar às compras num caminhão da loja e descarregar
todo o mobiliário nessa casa.
Quando acabaram de descarregar, o Xavier pediu aos caras aguardar que
ia providenciar o pagamento.
Nesse momento os colegas dele, estavam dentro da casa correndo para
carregar um caminhão que estava estacionado nos fundos da casa.
Quando acabaram de carregar tudo, deram no pé.
Sumiram.
Os funcionários da loja devem estar batendo na porta até hoje.
Devolveram a chave na imobiliária e dividiram o botim.
Nem sei o que foi disso tudo, se utilizaram, ou venderam.
Ele era chegado a esse tipo de atividades.
Fora que era mentiroso e dizia que o negocio dele era prometer muito
às mulheres.
Não importava se não poderia cumprir, queria viver o “hoje”
E passou muitos anos à procura de uma mina que lhe garantisse o futuro.
Sempre aplicando, ou era nos golpes na praça ou na mulherada.
Mesmo assim a coitada da Isabelita não o esquecia.
E ele pouco ligava pra ela, era um simples divertimento.
Todos sabiam disso, até ela mesma.
O tempo passou, eu mudei de cidade, nunca mais os vi pra nada.
Uns dez anos depois quando voltei de visita, andando no bairro,
encontrei uns colegas e sentamo-nos a tomar umas cervejinhas no bar de
antigamente.
Foi muito bom relembrar velhos tempos, a vida de cada um.
De pronto quem aparece passando na rua?
Era a Isabelita empurrando alguém na cadeira de rodas.
Quem seria?
Era o Xavier.
Fiquei pasmo e perguntei aos colegas,
-O que ouve com o Xavier?
-Ah, vc não sabia?
Deu um piripaique nele, foi um derrame e ficou paralisado totalmente, nem fala.
-Mas que ruim gente, e a Isabelita o que faz com ele?
-Ela cuida dele sempre, o leva a passear, o acompanha em casa dia e noite.
Pensei pra mim mesmo, como a vida é gozada.
E como o amor é sublime
Ela acabou vencendo pela sua teimosia, ficou com ele definitivamente
quando já não tinha mais condições de ficar sozinho.
Não tinha palavras para comentar o fato, estava perplexo completamente.
Veio de imediato à minha mente um pensamento, que tal vez faça jus ao
fato e tente explicar o grande amor que Isabelita sentia pelo Xavier.
Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba.
Não ame por admiração ou por interesse, pois um dia você se decepciona.
AME apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor, sem explicação.
Um causo lá em Pernambuco.
Numa cidade no interior de Pernambuco, mais exatamente, em Petrolina,
aconteceu uma historia inusitada que agora vou relatar.
Era a Jussara que conheceu o João Petrofilho e levou para casa
apresentar ao pai dela para formalizar o namoro. Isso foi no tempo que
se amarrava cachorro com lingüiça.
Hoje em dia é diferente, a moça apresenta o filho primeiro depois o namorado.
Acontece que a Jussara entra primeiro na sala e fala para a família toda.
-Gente trouxe o meu namorado o JOÃO PEDOFILO para apresentar a vcs e
conversar com o papai.
-O que!!! Disse o pai, Eu conversar com um pedófilo!!??
Deus é mais, quero esse cara fora daqui!!
-Calma papai, escuta o que ele tem a dizer
A mãe insiste, -É Josival, dá um pouco de atenção.
-Quero distância dessa raça ruim!!
Ai o João entra e vê todas as caras longas, tristes e pensa que alguma
coisa aconteceu, mas não se incomoda e cumprimenta a todos : -Boa
tarde gente!!!
O pai já vai respondendo: -Nem tão boas.
O João estica a mão para se apresentar e fica com ela abanando, o pai
nem corresponde.
Então o pai começa.
-Quer dizer que você e o tal né?
-Sou eu mesmo sim Sr. Josival
Bem, eu não gosto de suas atitudes nem um pouco já vou avisando e se
quiseres namorar a minha filha tens que mudar o comportamento.
-Mas seu Josival, eu sou um rapaz de bem, trabalho, gosto de todo mundo.
-E gostas de crianças?
-Adoro seu Josival
-Já imaginei isso mesmo.
Olha ta vendo esses dois meus filhos caçulas ai?
-Tô vendo sim seu Josival, crianças bonitas, qualquer dia vou levar
elas em casa para brincar vídeo game ou levar lá em Juazeiro que tenho
uma casinha e brincar na beira do São Francisco, tomar banho juntos.
-Mas tenta só, disse Josival, vais levar o Capeta, o Satanás que tu
vais levar, se chegares perto menos de dez metros dos meus filhos tu
viras porco capado!!!
-Só se não existir o meu padrinho padre Cícero aqui por perto pra ele
me impedir.
-Tenta só seu pedófilo de uma figa e te enquadro já já, te levo pro
meu serviço e tiro algumas fotos de você.
-Não estou entendendo, disse o João, não chegar perto dos seus filhos,
tirar fotos, que tipo de fotos?
-Trabalho na penitenciaria do estado seu coisa à toa, vou tirar fotos
de frente e de perfil, você assegurando um número no peito.
-Mas parece que vou ser fichado, por que? Não fiz nada de errado?
-Gente como você, disse o Josival, se não fez vai fazer logo.
Já foste preso alguma vez?
-Não seu Josival
-Já tratou-se com psicólogo?
-Também não senhor.
-Gostas do Michael Jackson?
-Sim adoro
-Já imaginei
-Não entendo tudo isto, venho aqui na paz, pedir a Jussara em namoro e
vcs me atiram pedras por tudo lado.
Vamos ver, Jussara, o que foi que você disse antes de eu entrar aqui?
-Ah, falei, família vou apresentar o João Pedófilo.
-Aí que está o problema, o meu nome não é pedófilo e sim Petrofilho.
-Mas por que esse nome esquisito? Indaga o pai.
-É que eu, nascido em Petrolina e sendo filho da cidade meu pai achou
por bem colocar Petrofilho, ou seja, filho de Petrolina.
É que a Jussara não soube se expressar bem.
-Quer dizer que vc não é pedófilo meu filho?
-Que eu saiba não.
-Então vamu conversar de homi pra homi, pur favô, saia tudo mundo da
sala que nos vamu ter uma cunversinha.
Diz ai seu pederasta, não desculpa, seu pedófilo
-Não senhor, sou o Petrofilho;
-Tá bem, que seja, mas, você ganha o suficiente para sustentar uma família?
-Acho que sim
-Entenda bem, quando eu disse uma família quis dizer eu, minha mulhê,
meus dois caçulas e a Jussara.
-Bem, ai eu não sei não.
-Não sabes não meu fíi? E quanto tu ganhas por mês?
-O que eu ganho no momento são dois salários mínimos.
-KKKKKKKKKKKKKKK, dois salários mínimos?
KKKKKKKKKKKKKKKKKK, isso não dá nem para a Jussara comprar papel
higiênico para limpar a bunda.
-Sinto muito seu Josival, então vou tentar ganhar mais um pouco e
volto para falar com o senhor uma outra hora.
-Vai em paz seu Petro alguma coisa.
Na saída a Jussara aguardava ansiosa o término da conversa, imaginando
que daria tudo certo.
E quando vê o João, pergunta toda feliz:
-E aí Joãozinho, o papai aceitou?
No que o João responde com um ar de fúria misturado a raiva e frustração,
-SUA CAGONA!!!!
aconteceu uma historia inusitada que agora vou relatar.
Era a Jussara que conheceu o João Petrofilho e levou para casa
apresentar ao pai dela para formalizar o namoro. Isso foi no tempo que
se amarrava cachorro com lingüiça.
Hoje em dia é diferente, a moça apresenta o filho primeiro depois o namorado.
Acontece que a Jussara entra primeiro na sala e fala para a família toda.
-Gente trouxe o meu namorado o JOÃO PEDOFILO para apresentar a vcs e
conversar com o papai.
-O que!!! Disse o pai, Eu conversar com um pedófilo!!??
Deus é mais, quero esse cara fora daqui!!
-Calma papai, escuta o que ele tem a dizer
A mãe insiste, -É Josival, dá um pouco de atenção.
-Quero distância dessa raça ruim!!
Ai o João entra e vê todas as caras longas, tristes e pensa que alguma
coisa aconteceu, mas não se incomoda e cumprimenta a todos : -Boa
tarde gente!!!
O pai já vai respondendo: -Nem tão boas.
O João estica a mão para se apresentar e fica com ela abanando, o pai
nem corresponde.
Então o pai começa.
-Quer dizer que você e o tal né?
-Sou eu mesmo sim Sr. Josival
Bem, eu não gosto de suas atitudes nem um pouco já vou avisando e se
quiseres namorar a minha filha tens que mudar o comportamento.
-Mas seu Josival, eu sou um rapaz de bem, trabalho, gosto de todo mundo.
-E gostas de crianças?
-Adoro seu Josival
-Já imaginei isso mesmo.
Olha ta vendo esses dois meus filhos caçulas ai?
-Tô vendo sim seu Josival, crianças bonitas, qualquer dia vou levar
elas em casa para brincar vídeo game ou levar lá em Juazeiro que tenho
uma casinha e brincar na beira do São Francisco, tomar banho juntos.
-Mas tenta só, disse Josival, vais levar o Capeta, o Satanás que tu
vais levar, se chegares perto menos de dez metros dos meus filhos tu
viras porco capado!!!
-Só se não existir o meu padrinho padre Cícero aqui por perto pra ele
me impedir.
-Tenta só seu pedófilo de uma figa e te enquadro já já, te levo pro
meu serviço e tiro algumas fotos de você.
-Não estou entendendo, disse o João, não chegar perto dos seus filhos,
tirar fotos, que tipo de fotos?
-Trabalho na penitenciaria do estado seu coisa à toa, vou tirar fotos
de frente e de perfil, você assegurando um número no peito.
-Mas parece que vou ser fichado, por que? Não fiz nada de errado?
-Gente como você, disse o Josival, se não fez vai fazer logo.
Já foste preso alguma vez?
-Não seu Josival
-Já tratou-se com psicólogo?
-Também não senhor.
-Gostas do Michael Jackson?
-Sim adoro
-Já imaginei
-Não entendo tudo isto, venho aqui na paz, pedir a Jussara em namoro e
vcs me atiram pedras por tudo lado.
Vamos ver, Jussara, o que foi que você disse antes de eu entrar aqui?
-Ah, falei, família vou apresentar o João Pedófilo.
-Aí que está o problema, o meu nome não é pedófilo e sim Petrofilho.
-Mas por que esse nome esquisito? Indaga o pai.
-É que eu, nascido em Petrolina e sendo filho da cidade meu pai achou
por bem colocar Petrofilho, ou seja, filho de Petrolina.
É que a Jussara não soube se expressar bem.
-Quer dizer que vc não é pedófilo meu filho?
-Que eu saiba não.
-Então vamu conversar de homi pra homi, pur favô, saia tudo mundo da
sala que nos vamu ter uma cunversinha.
Diz ai seu pederasta, não desculpa, seu pedófilo
-Não senhor, sou o Petrofilho;
-Tá bem, que seja, mas, você ganha o suficiente para sustentar uma família?
-Acho que sim
-Entenda bem, quando eu disse uma família quis dizer eu, minha mulhê,
meus dois caçulas e a Jussara.
-Bem, ai eu não sei não.
-Não sabes não meu fíi? E quanto tu ganhas por mês?
-O que eu ganho no momento são dois salários mínimos.
-KKKKKKKKKKKKKKK, dois salários mínimos?
KKKKKKKKKKKKKKKKKK, isso não dá nem para a Jussara comprar papel
higiênico para limpar a bunda.
-Sinto muito seu Josival, então vou tentar ganhar mais um pouco e
volto para falar com o senhor uma outra hora.
-Vai em paz seu Petro alguma coisa.
Na saída a Jussara aguardava ansiosa o término da conversa, imaginando
que daria tudo certo.
E quando vê o João, pergunta toda feliz:
-E aí Joãozinho, o papai aceitou?
No que o João responde com um ar de fúria misturado a raiva e frustração,
-SUA CAGONA!!!!
Quero sair de São Paulo.
Quero sair de São Paulo, disse, e lá fui eu para Brasília, capital
deste país que ainda não conheço.
E quem sabe daí, depois desse um pulo em Goiás visitar uns amigos que
também não conheço.
Bem chegando lá cedinho, estacionei a motoca perto do eixão de
Brasília, lugar muito bonito.
Agora, é andar um pouco a pé para conhecer melhor.
E lá fui eu bem distraído tentando procurar o Congresso, aquela
arquitetura toda do Niemayer quando me deparo com um cara correndo em
disparada e ao virar a esquina se dá de cara comigo.
Estava muito exausto e nervoso, quase que não conseguia nem falar, e
me disse, -Seu moço, segure este pacote aqui que estão atrás de mim,
depois eu volto para pegar.
Deixou em minhas mãos algo comprido e mole, e se mandou correndo
enquanto conseguia forças, parecia que estava fugindo do capeta.
Após uns segundos vi uns caras vestindo a farda da polícia federal
correndo e procurando por alguém. Será que era aquele sujeito?
Fiquei muito curioso e pensei, é melhor eu saber de que se trata e
descobrir o que tem aquele misterioso pacote.
Quando comecei a rasgar o papel, apareceram notas de 100 reais, um monte delas.
Sentei num lugarzinho mais afastado e as contei, cem mil reais em notas de 100.
Barbaridade!!!!! Que compromisso!!! O que iria fazer com elas?????
De pronto a polícia federal voltava e se aproximavam em minha direção.
Ai não teve dúvidas, enfiei essa grana toda debaixo do capacete e
fiquei sossegado, na minha.
Acontece que eles desconfiaram da minha figura e me interrogaram,
-Senhor, o que tem debaixo do seu capacete?
E respondi, -Oras e o que deveria ter? A minha cabeça.
-Não, entre a cabeça e o capacete.
-Cabelo, é que sou bem cabeludo e o capacete não entra direito.
-O senhor não deve ser bem cabeludo com a sua idade não, nos permitiria ver?
Foi quando retirando o capacete começou a despencar notas de 100 para tudo lado.
Quatro policiais ficaram catando tudo no chão e me pediram muito
gentilmente que os acompanhasse até a delegacia de polícia.
Que outro remédio? Chegando lá me atendeu a doutora Rosana e me
perguntou donde tinha arrumado todo esse dinheiro. –O senhor é
político?
-Não doutora.
-Trabalha para político?
-Também não doutora
Pensei, que maldito costume que eles tem de relacionar dinheiro com
política, o que tem a ver uma coisa com outra?
-Posso revista-lo meu senhor?
-Fique a vontade, quer que tire a roupa aqui mesmo?
-Não é necessário, oh Jeremias, vem cá e leva este senhor. para
revistar lá dentro.
-Ah não, ninguém vai revistar ninguém, eu tenho esse direito garantido
pela constituição, e quero o meu advogado ou não falarei mais nada.
Ninguém bota a mão em mim!!!!
Após algumas trocas de palavras, e tentando explicar onde arrumei essa
grana, lembro que a doutora comentou comigo:
-É sempre assim, aparece um monte de dinheiro e o pessoal disse que “achou”.
Me jogaram num canto resguardado, parecia uma cela, só que sem grades.
Ficando lá encontrei um cara algo conhecido e disse:
-Cara, eu não te conheço?
-Certamente que não, respondeu.
-Claro que te conheço, vc não é aquilo que a gente coloca atrás da
orelha para dar sorte?
E parece que a tua não foi muita não, olha onde vc está!!!
Pó cara vc foi pego por corrupção, olha que sacanagem que aprontaram com vc.
O pior não foi a tua corrupção e sim a tua burrice, deixaste filmar tudo!!.
E ainda disseste que ias comprar panetones e inventaste notas frias!!!
Por que não inventaste algo melhor para comprar?
Camas para os pobres, berços para criança, sei lá.
Bem na realidade parecia que estava num motel, tinha de tudo, frigo
bar com serviço completo, apanhei um iogurte de frutas, pois os bolos
cremosos não me apeteciam.
Quando foi comprovada a minha inocência me liberaram, sai daí
desejando boa sorte ao famoso prisioneiro. Ele agradeceu e eu
retruquei, não, Boa Sorte para o povo se vc ficar ai dentro por um bom
tempo!!!
Já fora desse aconchegante local, me dirigi para o Centro de
Convenções Ulysses Guimarães.
Pensei, vou conhecer algo por dentro aqui em Brasília fora à casa de detenção.
Só que para não ser reconhecido pelo cara que me entregou a grana, me
disfarcei de Rapunzel, comprei uma longa peruca loira e lá fui eu.
Entrando lá qual não foi a minha surpresa, tinha gente do partido e me
disseram que o próprio Lula estaria lá.
Fui então correndo e tentei me localizar perto do palanque, quem sabe
não encontraria o “homi” por lá?
Pedi licença aos espectadores para me sentar em alguma cadeira e não
me deixaram de jeito nenhum.
Comecei a gritar, gesticular, fui empurrando e não teve jeito ninguém
me deixava sentar.
Quando fui ver, estava caído no colo do “homi” com aquelas tranças
estabanadas, todo revirado, dois gorilões assegurando os meus braços e
eu gritando.
Quando o “homi” disse: - Espera ai, o que você quer aqui?
-Oh meu senhor, o único que eu quero é me sentar, EU QUERO É SENTAR!!!!!!
-Olha eu não estou interessado em tuas preferências sexuais, o que fazes aqui?
-É que quase fui acusado de corrupção e estava preso com um carequinha
agora estou aqui,
Quer dizer que vc foi pego com grana na cueca também?
-Não, eu não uso cueca.
-Ah, vc é prafrentex aquelas bichas modernas?
-Não eu sou espada e utilizo aquela sunga de praia, não cabe grana
nela, puis embaixo do capacete.
-Porra! Essa é nova para mim, corrupto esconde grana no capacete!!! Hahahaha
-Foi tudo um engano, bem, e já o conheci, agora gostaria de ir embora.
Na saída ainda me disse:-Meu senhor, ou sei lá, minha senhora, não
esqueça de lavar essa peruca, está fedendo pra cacete!!!!!
E foi assim que tive a alegria dobrada de conhecer esta terra bonita e
de passo os “homis” que nela habitam.
deste país que ainda não conheço.
E quem sabe daí, depois desse um pulo em Goiás visitar uns amigos que
também não conheço.
Bem chegando lá cedinho, estacionei a motoca perto do eixão de
Brasília, lugar muito bonito.
Agora, é andar um pouco a pé para conhecer melhor.
E lá fui eu bem distraído tentando procurar o Congresso, aquela
arquitetura toda do Niemayer quando me deparo com um cara correndo em
disparada e ao virar a esquina se dá de cara comigo.
Estava muito exausto e nervoso, quase que não conseguia nem falar, e
me disse, -Seu moço, segure este pacote aqui que estão atrás de mim,
depois eu volto para pegar.
Deixou em minhas mãos algo comprido e mole, e se mandou correndo
enquanto conseguia forças, parecia que estava fugindo do capeta.
Após uns segundos vi uns caras vestindo a farda da polícia federal
correndo e procurando por alguém. Será que era aquele sujeito?
Fiquei muito curioso e pensei, é melhor eu saber de que se trata e
descobrir o que tem aquele misterioso pacote.
Quando comecei a rasgar o papel, apareceram notas de 100 reais, um monte delas.
Sentei num lugarzinho mais afastado e as contei, cem mil reais em notas de 100.
Barbaridade!!!!! Que compromisso!!! O que iria fazer com elas?????
De pronto a polícia federal voltava e se aproximavam em minha direção.
Ai não teve dúvidas, enfiei essa grana toda debaixo do capacete e
fiquei sossegado, na minha.
Acontece que eles desconfiaram da minha figura e me interrogaram,
-Senhor, o que tem debaixo do seu capacete?
E respondi, -Oras e o que deveria ter? A minha cabeça.
-Não, entre a cabeça e o capacete.
-Cabelo, é que sou bem cabeludo e o capacete não entra direito.
-O senhor não deve ser bem cabeludo com a sua idade não, nos permitiria ver?
Foi quando retirando o capacete começou a despencar notas de 100 para tudo lado.
Quatro policiais ficaram catando tudo no chão e me pediram muito
gentilmente que os acompanhasse até a delegacia de polícia.
Que outro remédio? Chegando lá me atendeu a doutora Rosana e me
perguntou donde tinha arrumado todo esse dinheiro. –O senhor é
político?
-Não doutora.
-Trabalha para político?
-Também não doutora
Pensei, que maldito costume que eles tem de relacionar dinheiro com
política, o que tem a ver uma coisa com outra?
-Posso revista-lo meu senhor?
-Fique a vontade, quer que tire a roupa aqui mesmo?
-Não é necessário, oh Jeremias, vem cá e leva este senhor. para
revistar lá dentro.
-Ah não, ninguém vai revistar ninguém, eu tenho esse direito garantido
pela constituição, e quero o meu advogado ou não falarei mais nada.
Ninguém bota a mão em mim!!!!
Após algumas trocas de palavras, e tentando explicar onde arrumei essa
grana, lembro que a doutora comentou comigo:
-É sempre assim, aparece um monte de dinheiro e o pessoal disse que “achou”.
Me jogaram num canto resguardado, parecia uma cela, só que sem grades.
Ficando lá encontrei um cara algo conhecido e disse:
-Cara, eu não te conheço?
-Certamente que não, respondeu.
-Claro que te conheço, vc não é aquilo que a gente coloca atrás da
orelha para dar sorte?
E parece que a tua não foi muita não, olha onde vc está!!!
Pó cara vc foi pego por corrupção, olha que sacanagem que aprontaram com vc.
O pior não foi a tua corrupção e sim a tua burrice, deixaste filmar tudo!!.
E ainda disseste que ias comprar panetones e inventaste notas frias!!!
Por que não inventaste algo melhor para comprar?
Camas para os pobres, berços para criança, sei lá.
Bem na realidade parecia que estava num motel, tinha de tudo, frigo
bar com serviço completo, apanhei um iogurte de frutas, pois os bolos
cremosos não me apeteciam.
Quando foi comprovada a minha inocência me liberaram, sai daí
desejando boa sorte ao famoso prisioneiro. Ele agradeceu e eu
retruquei, não, Boa Sorte para o povo se vc ficar ai dentro por um bom
tempo!!!
Já fora desse aconchegante local, me dirigi para o Centro de
Convenções Ulysses Guimarães.
Pensei, vou conhecer algo por dentro aqui em Brasília fora à casa de detenção.
Só que para não ser reconhecido pelo cara que me entregou a grana, me
disfarcei de Rapunzel, comprei uma longa peruca loira e lá fui eu.
Entrando lá qual não foi a minha surpresa, tinha gente do partido e me
disseram que o próprio Lula estaria lá.
Fui então correndo e tentei me localizar perto do palanque, quem sabe
não encontraria o “homi” por lá?
Pedi licença aos espectadores para me sentar em alguma cadeira e não
me deixaram de jeito nenhum.
Comecei a gritar, gesticular, fui empurrando e não teve jeito ninguém
me deixava sentar.
Quando fui ver, estava caído no colo do “homi” com aquelas tranças
estabanadas, todo revirado, dois gorilões assegurando os meus braços e
eu gritando.
Quando o “homi” disse: - Espera ai, o que você quer aqui?
-Oh meu senhor, o único que eu quero é me sentar, EU QUERO É SENTAR!!!!!!
-Olha eu não estou interessado em tuas preferências sexuais, o que fazes aqui?
-É que quase fui acusado de corrupção e estava preso com um carequinha
agora estou aqui,
Quer dizer que vc foi pego com grana na cueca também?
-Não, eu não uso cueca.
-Ah, vc é prafrentex aquelas bichas modernas?
-Não eu sou espada e utilizo aquela sunga de praia, não cabe grana
nela, puis embaixo do capacete.
-Porra! Essa é nova para mim, corrupto esconde grana no capacete!!! Hahahaha
-Foi tudo um engano, bem, e já o conheci, agora gostaria de ir embora.
Na saída ainda me disse:-Meu senhor, ou sei lá, minha senhora, não
esqueça de lavar essa peruca, está fedendo pra cacete!!!!!
E foi assim que tive a alegria dobrada de conhecer esta terra bonita e
de passo os “homis” que nela habitam.
O homem que tentou enganar Deus.
Já era muito tarde, o relógio na capital paulista marcava mais de 22:00 horas.
O Raimundo deixava rapidamente a firma em que trabalhava, e seu único
destino era chegar rapidamente em casa.
Atravessava ruas já conhecidas do centro de Sampa, com paisagens
monocromáticas e lúgubres, nada comparado a alguns anos atrás quando a
imagem da cidade era outra, com as suas luzes e efeitos de néon
piscando, os comércios brilhando com suas propagandas iluminadas.
Até os carros eram mais coloridos, e não como hoje em dia que se
fundem praticamente em duas ou três cores padrão, como se houvesse
acabado a forma do povo manifestar a sua alegria mediante carros
multicolores.
Só restam os faróis nas esquinas piscando e orientando a nossa marcha,
dando um tênue e melancólico colorido à paisagem urbana.
Chegando em casa, o recebe a sua linda esposa Iracema, de traços
tipicamente paraibanos, mistura de mameluco com cafuzo e mulata.
Morena cativante, calma, sorriso aberto.
Como era o seu costume Raimundo reclama da vida a dois nessas
condições de ter que fazer horas extras à noite para poder manter um
padrão mínimo de conforto.
A sua mulher o consola dizendo que dias melhores virão, para se
conformar e ter paciência.
Até o convida para o próximo fim de semana ir para à igreja messiânica
que ela freqüenta, conversar com o pastor Jarbas e encontrar um pouco
de consolo para suas preocupações.
Inexplicavelmente o Raimundo aceita, mesmo ele nunca tenha aceitado antes.
Sempre achou que ele não era bestializado para ser catequizado.
E chegando lá no fim de semana, acaba indo e conversando com o pastor
que se propus “abrir os seus olhos e salvar a sua alma.”
Raimundo conversa bastante ele alega que não acredita na Bíblia,
quando o pastor lhe retruca que a Bíblia é a fé e a certeza que vamos
receber tudo que esperamos.
Que essa é a prova de que existem coisas que não podemos ver.
Raimundo reclama que a vida está difícil, muito sacrifício para pouco conforto.
Então o pastor lhe adianta:”A vida é um eco, se você não está gostando
do que está recebendo, observe o que está emitindo”
Em fim após longa e proveitosa conversa, Raimundo escuta também as
reclamações do pastor de que a igreja é pequena e precisa de uma
ampliação.
Ai Raimundo lhe conta que ele sendo também pedreiro aos fins de
semana, poderia ajudar na ampliação do salão.
E se ele quiser contrata-lo precisaria de um dinheiro para começar,
pois ele conhecia as firmas de materiais de construção.
Passados alguns dias e após muitas conversas, Raimundo convence o
pastor a lhe entregar uma boa soma em dinheiro para dar inicio
imediato às obras.
Ele explica à sua mulher que está gostando da igreja, do pastor e que
vai construir nos fins de semana uma grande obra.
Ele vira o maior devoto, acredita na teologia de Meishu Sama e assiste
a todas as cerimônias do Johrei.
Ele roga com fé em Deus para poder começar e concluir rapidamente a sua obra.
Acontece como disse a Bíblia, que os abomináveis, os mentirosos
arderão no lago eterno do fogo e enxofre.
E Raimundo mentiu, pegou esse dinheiro e jogou todo em números de
loteria fazendo uma gigantesca aposta.
Até contou para sua mulher pois nada ele fazia no escuro.
Ela ficou horrorizada com essa atitude e a reprovou de imediato.
Mas o marido ganancioso alegou que estava realizando uma vontade
divina, que Deus o iria ajudar para construir uma grande obra e ajudar
muitas pessoas.
Para não se preocupar que tudo sairia bem e eles seriam muito felizes.
Aconteceu no dia do sorteio algo inesperado, Raimundo foi beneficiado
com o premio maior e explodiu de alegria ao saber disso.
Contou para sua mulherzinha querida o fato e juntos pularam de júbilo,
comemorando os dias melhores que sem dúvida viriam.
Era muito dinheiro mesmo, dava para construir até vários anexos na
igreja e ainda sobraria bastante para eles desfrutarem.
Quando de repente de forma inesperada, o anjo iluminado das trevas, o
próprio Satanás soprou em seu ouvido:
“-O que vc acha Raimundo de gastar todo esse dinheiro em você mesmo?”
Bem, a tentação tinha batido em sua porta, pensou rapidamente que
outra oportunidade como essa nunca mais teria.
E tomou a sua própria e errada decisão.
Iria sim investir o dinheiro do bilhete premiado em seu benefício.
E manifestou isso à sua mulher, era para ela fazer as malas e se mudar
para sua mãe pois ele iria viajar com destino e prazo ignorado.
-E a igreja? Comentou ela.
Bem, disse Raimundo, vou jogar mais vezes e o próximo dinheiro que
ganhar vou empregar na construção do anexo, até o pastor vai gostar.
Agora ele vai ter que esperar eu curtir um pouco a vida e ganhar mais dinheiro.
E assim passou o dia e a noite alimentando sonhos egoístas, onde ele
próprio seria o único participante dessa fortuna para gastar no que
bem quiser.
Viagens, novos amigos, produtos de consumo, todo lhe aguardava prazerosamente.
Nem bem amanheceu o dia Raimundo colocou o bilhete premiado no bolso
da camisa e saiu correndo em direção ao posto pagador do premio.
Sim, teria que se apresentar munido de documentos à Cx. Econômica
Federal no Largo da Concórdia e apanhar o cheque.
E ele corre rua acima, rua abaixo até chegar bem próximo.
O que ele não esperava é que uma chuva torrencial o apanhasse de
surpresa e o molhasse de cabo a rabo.
Entrou ensopado na instituição e se dirigiu à recepcionista.
O susto maior foi quando tentou retirar o bilhete do bolso da camisa.
Tinha esquecido de resguarda-lo e chegou todo molhado, foi só tentar
apanha-lo que despedaçou rapidamente, parecia mais uma papinha de
neném.
A funcionaria descartou completamente que o bilhete fosse válido, todo
moído sem numeração visível.
Disse-lhe: -Olhe meu senhor, com isto o Sr. não vai poder receber!
Sinto muito mesmo.
Ai Raimundo retrucou com energia, -Mas como?
Quero falar com o responsável, alguém de um cargo mais alto!
Cargo mais alto? Respondeu a funcionária.
Só se falar com Deus.
Se ele se manifestar favoravelmente, quem sabe?
-É......- respondeu Raimundo já abatido e resignado.
Acho que Ele já se manifestou!!
O jeito agora era continuar na mesma vidinha, com o compromisso de
devolver o dinheiro todo ao pastor.
E reconhecer que se a vida não estava boa antes, agora depois da
tentação tomar conta dele estava bem pior.
O Raimundo deixava rapidamente a firma em que trabalhava, e seu único
destino era chegar rapidamente em casa.
Atravessava ruas já conhecidas do centro de Sampa, com paisagens
monocromáticas e lúgubres, nada comparado a alguns anos atrás quando a
imagem da cidade era outra, com as suas luzes e efeitos de néon
piscando, os comércios brilhando com suas propagandas iluminadas.
Até os carros eram mais coloridos, e não como hoje em dia que se
fundem praticamente em duas ou três cores padrão, como se houvesse
acabado a forma do povo manifestar a sua alegria mediante carros
multicolores.
Só restam os faróis nas esquinas piscando e orientando a nossa marcha,
dando um tênue e melancólico colorido à paisagem urbana.
Chegando em casa, o recebe a sua linda esposa Iracema, de traços
tipicamente paraibanos, mistura de mameluco com cafuzo e mulata.
Morena cativante, calma, sorriso aberto.
Como era o seu costume Raimundo reclama da vida a dois nessas
condições de ter que fazer horas extras à noite para poder manter um
padrão mínimo de conforto.
A sua mulher o consola dizendo que dias melhores virão, para se
conformar e ter paciência.
Até o convida para o próximo fim de semana ir para à igreja messiânica
que ela freqüenta, conversar com o pastor Jarbas e encontrar um pouco
de consolo para suas preocupações.
Inexplicavelmente o Raimundo aceita, mesmo ele nunca tenha aceitado antes.
Sempre achou que ele não era bestializado para ser catequizado.
E chegando lá no fim de semana, acaba indo e conversando com o pastor
que se propus “abrir os seus olhos e salvar a sua alma.”
Raimundo conversa bastante ele alega que não acredita na Bíblia,
quando o pastor lhe retruca que a Bíblia é a fé e a certeza que vamos
receber tudo que esperamos.
Que essa é a prova de que existem coisas que não podemos ver.
Raimundo reclama que a vida está difícil, muito sacrifício para pouco conforto.
Então o pastor lhe adianta:”A vida é um eco, se você não está gostando
do que está recebendo, observe o que está emitindo”
Em fim após longa e proveitosa conversa, Raimundo escuta também as
reclamações do pastor de que a igreja é pequena e precisa de uma
ampliação.
Ai Raimundo lhe conta que ele sendo também pedreiro aos fins de
semana, poderia ajudar na ampliação do salão.
E se ele quiser contrata-lo precisaria de um dinheiro para começar,
pois ele conhecia as firmas de materiais de construção.
Passados alguns dias e após muitas conversas, Raimundo convence o
pastor a lhe entregar uma boa soma em dinheiro para dar inicio
imediato às obras.
Ele explica à sua mulher que está gostando da igreja, do pastor e que
vai construir nos fins de semana uma grande obra.
Ele vira o maior devoto, acredita na teologia de Meishu Sama e assiste
a todas as cerimônias do Johrei.
Ele roga com fé em Deus para poder começar e concluir rapidamente a sua obra.
Acontece como disse a Bíblia, que os abomináveis, os mentirosos
arderão no lago eterno do fogo e enxofre.
E Raimundo mentiu, pegou esse dinheiro e jogou todo em números de
loteria fazendo uma gigantesca aposta.
Até contou para sua mulher pois nada ele fazia no escuro.
Ela ficou horrorizada com essa atitude e a reprovou de imediato.
Mas o marido ganancioso alegou que estava realizando uma vontade
divina, que Deus o iria ajudar para construir uma grande obra e ajudar
muitas pessoas.
Para não se preocupar que tudo sairia bem e eles seriam muito felizes.
Aconteceu no dia do sorteio algo inesperado, Raimundo foi beneficiado
com o premio maior e explodiu de alegria ao saber disso.
Contou para sua mulherzinha querida o fato e juntos pularam de júbilo,
comemorando os dias melhores que sem dúvida viriam.
Era muito dinheiro mesmo, dava para construir até vários anexos na
igreja e ainda sobraria bastante para eles desfrutarem.
Quando de repente de forma inesperada, o anjo iluminado das trevas, o
próprio Satanás soprou em seu ouvido:
“-O que vc acha Raimundo de gastar todo esse dinheiro em você mesmo?”
Bem, a tentação tinha batido em sua porta, pensou rapidamente que
outra oportunidade como essa nunca mais teria.
E tomou a sua própria e errada decisão.
Iria sim investir o dinheiro do bilhete premiado em seu benefício.
E manifestou isso à sua mulher, era para ela fazer as malas e se mudar
para sua mãe pois ele iria viajar com destino e prazo ignorado.
-E a igreja? Comentou ela.
Bem, disse Raimundo, vou jogar mais vezes e o próximo dinheiro que
ganhar vou empregar na construção do anexo, até o pastor vai gostar.
Agora ele vai ter que esperar eu curtir um pouco a vida e ganhar mais dinheiro.
E assim passou o dia e a noite alimentando sonhos egoístas, onde ele
próprio seria o único participante dessa fortuna para gastar no que
bem quiser.
Viagens, novos amigos, produtos de consumo, todo lhe aguardava prazerosamente.
Nem bem amanheceu o dia Raimundo colocou o bilhete premiado no bolso
da camisa e saiu correndo em direção ao posto pagador do premio.
Sim, teria que se apresentar munido de documentos à Cx. Econômica
Federal no Largo da Concórdia e apanhar o cheque.
E ele corre rua acima, rua abaixo até chegar bem próximo.
O que ele não esperava é que uma chuva torrencial o apanhasse de
surpresa e o molhasse de cabo a rabo.
Entrou ensopado na instituição e se dirigiu à recepcionista.
O susto maior foi quando tentou retirar o bilhete do bolso da camisa.
Tinha esquecido de resguarda-lo e chegou todo molhado, foi só tentar
apanha-lo que despedaçou rapidamente, parecia mais uma papinha de
neném.
A funcionaria descartou completamente que o bilhete fosse válido, todo
moído sem numeração visível.
Disse-lhe: -Olhe meu senhor, com isto o Sr. não vai poder receber!
Sinto muito mesmo.
Ai Raimundo retrucou com energia, -Mas como?
Quero falar com o responsável, alguém de um cargo mais alto!
Cargo mais alto? Respondeu a funcionária.
Só se falar com Deus.
Se ele se manifestar favoravelmente, quem sabe?
-É......- respondeu Raimundo já abatido e resignado.
Acho que Ele já se manifestou!!
O jeito agora era continuar na mesma vidinha, com o compromisso de
devolver o dinheiro todo ao pastor.
E reconhecer que se a vida não estava boa antes, agora depois da
tentação tomar conta dele estava bem pior.
Dia das Mães e mais.
Esta foi uma verdadeira semana maluca.
Hoje, por sorte poderemos festejar com sol o DIA DAS MÃES.
PARABÉNS a todas elas, pois realmente merecem tudo que desejamos e muito mais.
Parabéns a elas, às que não são ainda e um dia serão, aos amigos que
gostariam de ser e vêm com nostalgia e frustração que a natureza lhes
negou esse dom.
Parabéns às mães postiças, à mãe terra, à mãe nação!
Foi semana de casamento de famosos, com todo o luxo possível para
manter o brilho da milenar dinastia britânica.
A esses ricos da monarquia, eu diria que a medida real de suas
riquezas é quanto eles valeriam se perdessem o título e todo seu
dinheiro.
Nesse mesmo dia aconteceu o assassinato do companheiro Osama, que só o
anunciaram uma semana depois para não ofuscar o casamento.
Seria infantil perguntar o por que não o capturaram vivo.
Pelo mesmo motivo que não deixaram vivo o Che Guevara.
Eles tem mais medo de suas idéias do que seus atentados.
Nenhum republicano ou democrata dos EUA teria condições de discutir
motivos e razões de tanta violência no mundo, com certeza Osama iria
convencer muita gente do contrario que pensam.
O jeito era mata-lo, por medo de abrir a boca, de expor o podre do
mundo ocidental.
Que aliás ele foi favorecido antigamente pela CIA o mesmo que Saddam
Hussein, e nesse caso também aplicaram a “queima de arquivo”
Se Jesus volta-se à terra, provavelmente eles o aniquilariam, não
faltariam razões.
Quando não se pode discutir com alguém, o jeito é neutralizá-lo.
Disseram que agora que o Balaio fechou, devemos pegar fogo no Boteco.
Si precisarem de álcool, podem contar comigo, tenho grandes reservas.
Bem, o Balaio não irá fechar nunca, seria como querer acabar com a
razão, a verdade, a inteligência.
Isso não acaba, se modifica, se desloca, se transforma.
Aparecerá novamente noutro lugar, com mais força, com mais ensejo.
E seremos testemunhos fieis reconhecendo que o que é bom, deve ser eterno.
Falando em álcool, estou seguindo a risca os mandamentos de
Desintoxicação Alcoólica.
“Como largar de ser um pinguço, uma besta humana em 21 lições”
A primeira lição, Afaste a bebida de vc, eu já cumpri, coloquei minha
adega lá no mezanino, bem longe.
Segunda lição, Não olhe mais para a bebida, já está solucionado,
arrumei um óculo bem escuro, aquele de soldador, não se enxerga nem o
sol, nem o pensamento.
Minhas filhas falaram:-Pai, como vc está diferente, estas doente?
É que nunca tinham-me visto sóbrio.
Bem, no fim da última lição: Um brindes ao sucesso, e outro brindes
aos abstêmios!
Ah, esqueci de dizer, eu sou o autor dessa obra, essa maravilha de livro.
Por que eu bebo? Porque as mulheres bonitas fazem-me comprar vinho.
E as mulheres feias fazem-me bebe-lo.
Mas vou parar, prometo. Estou gastando tanto em bebida, devo tanto que
se chamar alguém de “meu bem”, o banco toma.
Aliás, beber em demasia é um erro, e o único modo de evitar erros é
adquirindo experiência. No entanto a única maneira de adquirir
experiência é cometendo erros.
E tudo acaba virando um círculo vicioso.
Muitas coisas mudaram aqui no Boteco, é que ainda devemos abaixar a
cabeça para o tal do Google, “dono de todos nós” Que aliás ele pode
até estuprar o meu corpo, mas, a minha mente, jamais! E como dói!!!
Tal vez vc tem amigos que opinam que mudando de endereço o Balaio nada
vai mudar, que nada vai dar certo.
Nesse caso mude seus amigos.
Não quero me estender mais, hoje é um dia muito especial.
Um beijo a todos vocês!
Hoje, por sorte poderemos festejar com sol o DIA DAS MÃES.
PARABÉNS a todas elas, pois realmente merecem tudo que desejamos e muito mais.
Parabéns a elas, às que não são ainda e um dia serão, aos amigos que
gostariam de ser e vêm com nostalgia e frustração que a natureza lhes
negou esse dom.
Parabéns às mães postiças, à mãe terra, à mãe nação!
Foi semana de casamento de famosos, com todo o luxo possível para
manter o brilho da milenar dinastia britânica.
A esses ricos da monarquia, eu diria que a medida real de suas
riquezas é quanto eles valeriam se perdessem o título e todo seu
dinheiro.
Nesse mesmo dia aconteceu o assassinato do companheiro Osama, que só o
anunciaram uma semana depois para não ofuscar o casamento.
Seria infantil perguntar o por que não o capturaram vivo.
Pelo mesmo motivo que não deixaram vivo o Che Guevara.
Eles tem mais medo de suas idéias do que seus atentados.
Nenhum republicano ou democrata dos EUA teria condições de discutir
motivos e razões de tanta violência no mundo, com certeza Osama iria
convencer muita gente do contrario que pensam.
O jeito era mata-lo, por medo de abrir a boca, de expor o podre do
mundo ocidental.
Que aliás ele foi favorecido antigamente pela CIA o mesmo que Saddam
Hussein, e nesse caso também aplicaram a “queima de arquivo”
Se Jesus volta-se à terra, provavelmente eles o aniquilariam, não
faltariam razões.
Quando não se pode discutir com alguém, o jeito é neutralizá-lo.
Disseram que agora que o Balaio fechou, devemos pegar fogo no Boteco.
Si precisarem de álcool, podem contar comigo, tenho grandes reservas.
Bem, o Balaio não irá fechar nunca, seria como querer acabar com a
razão, a verdade, a inteligência.
Isso não acaba, se modifica, se desloca, se transforma.
Aparecerá novamente noutro lugar, com mais força, com mais ensejo.
E seremos testemunhos fieis reconhecendo que o que é bom, deve ser eterno.
Falando em álcool, estou seguindo a risca os mandamentos de
Desintoxicação Alcoólica.
“Como largar de ser um pinguço, uma besta humana em 21 lições”
A primeira lição, Afaste a bebida de vc, eu já cumpri, coloquei minha
adega lá no mezanino, bem longe.
Segunda lição, Não olhe mais para a bebida, já está solucionado,
arrumei um óculo bem escuro, aquele de soldador, não se enxerga nem o
sol, nem o pensamento.
Minhas filhas falaram:-Pai, como vc está diferente, estas doente?
É que nunca tinham-me visto sóbrio.
Bem, no fim da última lição: Um brindes ao sucesso, e outro brindes
aos abstêmios!
Ah, esqueci de dizer, eu sou o autor dessa obra, essa maravilha de livro.
Por que eu bebo? Porque as mulheres bonitas fazem-me comprar vinho.
E as mulheres feias fazem-me bebe-lo.
Mas vou parar, prometo. Estou gastando tanto em bebida, devo tanto que
se chamar alguém de “meu bem”, o banco toma.
Aliás, beber em demasia é um erro, e o único modo de evitar erros é
adquirindo experiência. No entanto a única maneira de adquirir
experiência é cometendo erros.
E tudo acaba virando um círculo vicioso.
Muitas coisas mudaram aqui no Boteco, é que ainda devemos abaixar a
cabeça para o tal do Google, “dono de todos nós” Que aliás ele pode
até estuprar o meu corpo, mas, a minha mente, jamais! E como dói!!!
Tal vez vc tem amigos que opinam que mudando de endereço o Balaio nada
vai mudar, que nada vai dar certo.
Nesse caso mude seus amigos.
Não quero me estender mais, hoje é um dia muito especial.
Um beijo a todos vocês!
Coisas de Sampa
Não foi agora, mais aconteceu.
Ouve uma corrida programada numa pista de atletismo entre jovens
excepcionais portadores da síndrome de Dawn.
Eles estavam bem preparados, cada um sabia o seu papel.
Então a corrida começou, estavam indo muito bem, até que um dos
integrantes deu um tropeço e foi pro chão.
De imediato todos pararam e foram no auxílio do companheiro caído.
Devem ter raciocinado muito bem e rápido, imaginando que na teria
sentido continuar correndo sendo que um dos amigos estava com
dificuldades.
Então o que fizeram? Deram-se as mãos, correram juntos e assim
chegaram no final da corrida todos unidos. Não teve um ganhador nem um
perdedor.
Foi uma belíssima lição de humanidade, de solidariedade.
Tem pessoas que acham que eles são seres inferiores, que tem que
aprender muito conosco.
No fim vemos que somos nós “os normais”, temos muito que aprender com eles.
Bah!Adoro São Paulo, com suas noites fumegantes, caminhões que passam
carregados de máquinas e te brindam aquele doce balanço, animaizinhos
silvestres por todos os lados para alegrar o lar, o ratinho roendo no
quintal, a baratinha tintinabulando pela cozinha, dando aquele ar
bucólico de floresta, de boscagem.
O toc-toc das prensas que marcam compasso e te acompanham no sono.
Consegues dormir após uma hora da manhã quando a gurizada decide parar
de brincar e as sete da manhã aparece o manezão gritando: -OLHA O GAZ,
AO GÁZ, OLHA O GÁZ.
Delicia pura é morar em cidade grande, ninguém incomoda ninguém.
Quando o vizinho chega após trabalhar de entregador de pizzas, acelera
a moto e desliga. Parece coisa ruim mais não é, ai já sabes que são as
12.30 da noite.
Em fim, eu não me acostumaria com o ensurdecedor silêncio de cidade pequena.
Não temos passarinhos cantando, temos muitas pombas e urubus
sobrevoando. Pena que eles não cantam. E as pombas estão consideradas
pragas domésticas.
Em fim cada um com seus sons. Tenho uma caixa acústica tamanho família
ligada no micro.
Guardo infinidade de gravações de coisas, bichos em geral. Quando vem
pessoas indesejáveis, pedintes, escandalosos, ligo na hora o latido do
pitti-bull, saio da porta pra fora e fico gritando: -Não Satã,vc não
vai sair agora, mulher assegura a coleira nele no pescoço, não deixa
escapar!!! E os curiosos saem correndo apavorados.
Só os vizinhos me conhecem e sabem dos meus bichinhos virtuais, e já
não ligam mais.
Gente, acho que cada um se acaba acostumando com seus sons, seus
bichinhos, suas luzes e sombras próprias de cada lugar.
Ouve uma corrida programada numa pista de atletismo entre jovens
excepcionais portadores da síndrome de Dawn.
Eles estavam bem preparados, cada um sabia o seu papel.
Então a corrida começou, estavam indo muito bem, até que um dos
integrantes deu um tropeço e foi pro chão.
De imediato todos pararam e foram no auxílio do companheiro caído.
Devem ter raciocinado muito bem e rápido, imaginando que na teria
sentido continuar correndo sendo que um dos amigos estava com
dificuldades.
Então o que fizeram? Deram-se as mãos, correram juntos e assim
chegaram no final da corrida todos unidos. Não teve um ganhador nem um
perdedor.
Foi uma belíssima lição de humanidade, de solidariedade.
Tem pessoas que acham que eles são seres inferiores, que tem que
aprender muito conosco.
No fim vemos que somos nós “os normais”, temos muito que aprender com eles.
Bah!Adoro São Paulo, com suas noites fumegantes, caminhões que passam
carregados de máquinas e te brindam aquele doce balanço, animaizinhos
silvestres por todos os lados para alegrar o lar, o ratinho roendo no
quintal, a baratinha tintinabulando pela cozinha, dando aquele ar
bucólico de floresta, de boscagem.
O toc-toc das prensas que marcam compasso e te acompanham no sono.
Consegues dormir após uma hora da manhã quando a gurizada decide parar
de brincar e as sete da manhã aparece o manezão gritando: -OLHA O GAZ,
AO GÁZ, OLHA O GÁZ.
Delicia pura é morar em cidade grande, ninguém incomoda ninguém.
Quando o vizinho chega após trabalhar de entregador de pizzas, acelera
a moto e desliga. Parece coisa ruim mais não é, ai já sabes que são as
12.30 da noite.
Em fim, eu não me acostumaria com o ensurdecedor silêncio de cidade pequena.
Não temos passarinhos cantando, temos muitas pombas e urubus
sobrevoando. Pena que eles não cantam. E as pombas estão consideradas
pragas domésticas.
Em fim cada um com seus sons. Tenho uma caixa acústica tamanho família
ligada no micro.
Guardo infinidade de gravações de coisas, bichos em geral. Quando vem
pessoas indesejáveis, pedintes, escandalosos, ligo na hora o latido do
pitti-bull, saio da porta pra fora e fico gritando: -Não Satã,vc não
vai sair agora, mulher assegura a coleira nele no pescoço, não deixa
escapar!!! E os curiosos saem correndo apavorados.
Só os vizinhos me conhecem e sabem dos meus bichinhos virtuais, e já
não ligam mais.
Gente, acho que cada um se acaba acostumando com seus sons, seus
bichinhos, suas luzes e sombras próprias de cada lugar.
Vivo? Vivo e meio!
Vivo? Vivo e meio!
Quando tive recomendações do doutor Rômulo de Bragança como sendo o
melhor psicanalista espanhol que se estava radicando em Brasil, fiquei
curioso de conhece-lo.
Foram alguns amigos que conheciam e freqüentaram-no, fizeram consultas
porque na minha terrinha passar pela mão deles é status.
Todo mundo tem um médico analista conhecido, é como o mecânico do
carro, todos conhecem um, trocam idéias e recomendam.
Até que pelo entusiasmo fui lá conhece-lo, quem sabe poderia achar
algum desarranjo em minha personalidade e corrigi-lo.
Porque as pessoas podem pegar vícios, manias e outros defeitos que só
um bom profissional consegue detectar e corrigir.
Até os próprios médicos da cuca, são obrigados a se consultar uma vez
por ano, para ver o equilíbrio e as condições gerais, pois eles são
muito sensíveis a mudanças por causa da profissão.
Então marquei uma consulta e chegando lá vieram as perguntas de rotina.
-O que você está sentindo?
-Olha doutor Rômulo, eu freqüentemente ouço vozes.
-Sim muito bem, mas que tipo de vozes?
-São de pessoas que parecem estar lá longe, na distancia.
-E o que falam essa vozes.
--Elas falam :Alô? Com quem falo?
-E isso é freqüente?
-Não doutor, só quando pego no telefone.
Ahhhhhhh, entendi a questão, olha vou-te receitar um ansiolítico e vc
toma antes de dormir por 30 dias está bem?
E após algumas recomendações deu por encerrada a consulta.
-Tudo bem doutor, então vou-me retirar, quanto devo pela consulta?
-Bem devido a minha especialidade eu cobro 500 reais.
-Affff, só isso doutor?
-É porque estou começando, quando tiver clientela vou aumentar o
valor, sabe que não é fácil de achar um bom psicanalista, né?
Olhe doutor Rômulo, não sei se já relatei um detalhe, que os meus pais
acabaram os seus dias num manicômio judiciário, amarrados com camisa
de força.
-Ah é? Eles eram perigosos?
-Sim, gostavam de matar pessoas que provocavam eles.
-Olha isso é muito grave.
-Pois é doutor, e eu acho que levo isso também em minha genética.
-Como assim?
--É que já acabei com a vida de alguns médicos
-Então você é um psicopata!!
-São surtos doutor, só as vezes que acontece.
-E quando principalmente?
-Quando os médicos querem me assaltar nas consultas e me falam um
preço muito alto não sei o que me acontece, só sei que vôo no pescoço
deles e aperto até sufocar.
-Mas, você assim vai ser preso meu Deus!
-Não doutor sempre acho um jeito, da última vez aproveitei que o
médico estava construindo, não tinha ninguém e coloquei ele dentro do
concreto, ficou no meio da parede como recheio humano.
Falando disso o senhor está construindo aqui no fundo né?
-Eh, sim.......... não............. sim claro.
-Doutor, eu acabei esquecendo qual é o valor da consulta, por favor.
-Ah sim a consulta, não, não é nada.
Ela é grátis por ser a primeira vez que você vem.
Da próxima eu cobro, pode ficar tranqüilo.
E mais, você veio de carro?
-De moto doutor.
-Tudo bem, leve estas vinte pratas para a gasolina, eu sei que está cara mesmo.
-Ótimo doutor, e quando marco o retorno?
-Ah sim o retorno, eu te aviso, não vai demorar.
-Posso vir daqui trinta dias?
-É que tenho um congresso lá na Suécia, acho que vou demorar uns seis
meses em voltar.
Mesmo assim você não vai ficar na mão.
Vou ligar para te recomendar um colega de profissão que tomará conta
do teu caso tudo bem?
-Pois não doutor, obrigado pela consulta e a gasolina, hehe.
Bem dizem que o mundo é dos vivos.
Eu diria que é dos honestos.
Malandro, vivanco, esperto de mais, tem que pagar pedágio.
E eu cobro mesmo, comigo não tem essa.
Porque carteirinha de Mané eu nunca tirei.
Quando tive recomendações do doutor Rômulo de Bragança como sendo o
melhor psicanalista espanhol que se estava radicando em Brasil, fiquei
curioso de conhece-lo.
Foram alguns amigos que conheciam e freqüentaram-no, fizeram consultas
porque na minha terrinha passar pela mão deles é status.
Todo mundo tem um médico analista conhecido, é como o mecânico do
carro, todos conhecem um, trocam idéias e recomendam.
Até que pelo entusiasmo fui lá conhece-lo, quem sabe poderia achar
algum desarranjo em minha personalidade e corrigi-lo.
Porque as pessoas podem pegar vícios, manias e outros defeitos que só
um bom profissional consegue detectar e corrigir.
Até os próprios médicos da cuca, são obrigados a se consultar uma vez
por ano, para ver o equilíbrio e as condições gerais, pois eles são
muito sensíveis a mudanças por causa da profissão.
Então marquei uma consulta e chegando lá vieram as perguntas de rotina.
-O que você está sentindo?
-Olha doutor Rômulo, eu freqüentemente ouço vozes.
-Sim muito bem, mas que tipo de vozes?
-São de pessoas que parecem estar lá longe, na distancia.
-E o que falam essa vozes.
--Elas falam :Alô? Com quem falo?
-E isso é freqüente?
-Não doutor, só quando pego no telefone.
Ahhhhhhh, entendi a questão, olha vou-te receitar um ansiolítico e vc
toma antes de dormir por 30 dias está bem?
E após algumas recomendações deu por encerrada a consulta.
-Tudo bem doutor, então vou-me retirar, quanto devo pela consulta?
-Bem devido a minha especialidade eu cobro 500 reais.
-Affff, só isso doutor?
-É porque estou começando, quando tiver clientela vou aumentar o
valor, sabe que não é fácil de achar um bom psicanalista, né?
Olhe doutor Rômulo, não sei se já relatei um detalhe, que os meus pais
acabaram os seus dias num manicômio judiciário, amarrados com camisa
de força.
-Ah é? Eles eram perigosos?
-Sim, gostavam de matar pessoas que provocavam eles.
-Olha isso é muito grave.
-Pois é doutor, e eu acho que levo isso também em minha genética.
-Como assim?
--É que já acabei com a vida de alguns médicos
-Então você é um psicopata!!
-São surtos doutor, só as vezes que acontece.
-E quando principalmente?
-Quando os médicos querem me assaltar nas consultas e me falam um
preço muito alto não sei o que me acontece, só sei que vôo no pescoço
deles e aperto até sufocar.
-Mas, você assim vai ser preso meu Deus!
-Não doutor sempre acho um jeito, da última vez aproveitei que o
médico estava construindo, não tinha ninguém e coloquei ele dentro do
concreto, ficou no meio da parede como recheio humano.
Falando disso o senhor está construindo aqui no fundo né?
-Eh, sim.......... não............. sim claro.
-Doutor, eu acabei esquecendo qual é o valor da consulta, por favor.
-Ah sim a consulta, não, não é nada.
Ela é grátis por ser a primeira vez que você vem.
Da próxima eu cobro, pode ficar tranqüilo.
E mais, você veio de carro?
-De moto doutor.
-Tudo bem, leve estas vinte pratas para a gasolina, eu sei que está cara mesmo.
-Ótimo doutor, e quando marco o retorno?
-Ah sim o retorno, eu te aviso, não vai demorar.
-Posso vir daqui trinta dias?
-É que tenho um congresso lá na Suécia, acho que vou demorar uns seis
meses em voltar.
Mesmo assim você não vai ficar na mão.
Vou ligar para te recomendar um colega de profissão que tomará conta
do teu caso tudo bem?
-Pois não doutor, obrigado pela consulta e a gasolina, hehe.
Bem dizem que o mundo é dos vivos.
Eu diria que é dos honestos.
Malandro, vivanco, esperto de mais, tem que pagar pedágio.
E eu cobro mesmo, comigo não tem essa.
Porque carteirinha de Mané eu nunca tirei.
O João Cana Brava
Por ocasião da doença do Chico Anísio, o seu amigo Tom Cavalcante lhe
fez uma visita de cortesia.
E no intuito de alegrar um pouco seu amigo, depois de tanto
sofrimento, o Tom fez questão de lhe contar uma piadinha, sim aquelas
do João Cana Brava, tudo caracterizado.
Bem, ele caprichou tanto na historia, que o Chico, semi inconsciente e
com aparelhos, tubo de vidro para respiração assistida, começou a dar
um simples e hilário sorriso, que foi crescendo até se tornar numa
espetacular gargalhada.
E tão violenta foi que o Chico começou a esmigalhar o tubo de vidro
com os dentes e logo mais a engolir os cacos. Ao mesmo tempo os
médicos que o assistiam caíram na risada , e não conseguiam parar de
rir.
O diretor, o professor Gumercindo escutando a balburdia de longe se
apresentou na sala já intimando o pessoal:
-Macacos me mordam K7!!!
Pelas barbas de Júpiter!!!
O que foi gente?
Festival de risada?
Ou vcs fumaram todas?
Ninguém respondia, o anestesista, dr. Alcibíades estava de cócoras
dando murros no chão de punho fechado, rindo e chorando ao mesmo
tempo.
Ai o seu Gumercindo lhe perguntou:
-Deste propofol para o paciente dormir?
-Hahahahahahaha, Dr. não tinha propofol e dei pentotatio de pototio
hahahahahahahah
umas quinhentas miligramas, hahahahahaha
-Vc está louco? Essa é dose para dormir hipopótamos!!!
Ele vai acordar daqui três meses, se acordar.
E o Dr. Epitáfio? Onde está?
-Disse que ia mijar de tanto rir, hahhahaha
-E as enfermeiras?
-Hahahahaha, foram junto ao Dr. para ajudar, hahahahahahaha
Nessas horas o professor não parava de puxar os seus cabelos de raiva,
como se calvície mitigasse a dor.
-Seus loucos, vão acabar com o paciente e não param de rir, oh Tom
você é o culpado de tudo isso!
-Bem, eu, eu, eu só contei uma piadinha................
-Agora vc é único que está em condições de ajudar, vou fazer uma
lavagem estomacal para tirar os vidros e vc faz uma lavagem
intestinal, tudo bem?
-Mas eu não...nunca...nunca fiz isso antes.
-Pô!! É seu amigo e tens que ajudar!!!
-Bem cadê o aspirador de pó?
-Não, pega essa mangueira e enfia assim, .........assim,
.........direitinho viu?
-Afffff, prefiro contar piadas professor!!
-Então vai, conta essa famosa.
-Bem, era uma vez o João Cana Brava..........
fez uma visita de cortesia.
E no intuito de alegrar um pouco seu amigo, depois de tanto
sofrimento, o Tom fez questão de lhe contar uma piadinha, sim aquelas
do João Cana Brava, tudo caracterizado.
Bem, ele caprichou tanto na historia, que o Chico, semi inconsciente e
com aparelhos, tubo de vidro para respiração assistida, começou a dar
um simples e hilário sorriso, que foi crescendo até se tornar numa
espetacular gargalhada.
E tão violenta foi que o Chico começou a esmigalhar o tubo de vidro
com os dentes e logo mais a engolir os cacos. Ao mesmo tempo os
médicos que o assistiam caíram na risada , e não conseguiam parar de
rir.
O diretor, o professor Gumercindo escutando a balburdia de longe se
apresentou na sala já intimando o pessoal:
-Macacos me mordam K7!!!
Pelas barbas de Júpiter!!!
O que foi gente?
Festival de risada?
Ou vcs fumaram todas?
Ninguém respondia, o anestesista, dr. Alcibíades estava de cócoras
dando murros no chão de punho fechado, rindo e chorando ao mesmo
tempo.
Ai o seu Gumercindo lhe perguntou:
-Deste propofol para o paciente dormir?
-Hahahahahahaha, Dr. não tinha propofol e dei pentotatio de pototio
hahahahahahahah
umas quinhentas miligramas, hahahahahaha
-Vc está louco? Essa é dose para dormir hipopótamos!!!
Ele vai acordar daqui três meses, se acordar.
E o Dr. Epitáfio? Onde está?
-Disse que ia mijar de tanto rir, hahhahaha
-E as enfermeiras?
-Hahahahaha, foram junto ao Dr. para ajudar, hahahahahahaha
Nessas horas o professor não parava de puxar os seus cabelos de raiva,
como se calvície mitigasse a dor.
-Seus loucos, vão acabar com o paciente e não param de rir, oh Tom
você é o culpado de tudo isso!
-Bem, eu, eu, eu só contei uma piadinha................
-Agora vc é único que está em condições de ajudar, vou fazer uma
lavagem estomacal para tirar os vidros e vc faz uma lavagem
intestinal, tudo bem?
-Mas eu não...nunca...nunca fiz isso antes.
-Pô!! É seu amigo e tens que ajudar!!!
-Bem cadê o aspirador de pó?
-Não, pega essa mangueira e enfia assim, .........assim,
.........direitinho viu?
-Afffff, prefiro contar piadas professor!!
-Então vai, conta essa famosa.
-Bem, era uma vez o João Cana Brava..........
Doidice anda solta
A gente arruma conhecidos de todos os tipos, tem os alegres, os
divertidos, os deprimidos.
Dou preferência sempre aos otimistas, aos que tem alguma coisa a
acrescentar à nossa vida, aos nossos parcos conhecimentos, que nunca
chegam a ser suficientes nem do nosso agrado.
E nos trazer um pouco de alegria, para melhorar nosso estado de ânimo.
Uma figura da qual nunca vou conseguir esquecer foi um funcionário e
amigo sim, após tantos anos de trabalharmos e convivermos juntos,
acabamos por ter uma afinidade bem especial.
É o caso do Jacinto, um cara realmente inesquecível.
Uma vez, nos já afastados comercialmente fazia um bom tempo ele me
liga no meu celular.
Aviso: ele é um cara bom, nobre, bom coração só que desaforado,
impropérios na boca dele é como flores num jardim, florescem a
vontade.
Sempre eu falava: -Jacinto, melhora esse seu linguajar, temos ótimas
palavras em nosso idioma, não precisamos de apelação, nem de
aberrações lingüísticas, é só falar o correto, nada mais.
Mas ele tinha esse costume, de três palavras que falava pronunciava
quatro palavrões.
Era o jeito dele, ame-o ou deixe-o, não tinha outra solução.
Bem, eu atendi o celular e escuto:
Quem é?
O Enrique?
Fala seu p.... f. da p....!!!!!!
Como vc está?
E ai cara, e as minas, comendo todas as p.... ainda ou já deu um tempo?
Eu simplesmente respondi:
-Oh...... Jacinto
-Já sei seu corno, vc não agüentou mais e foi dar o c. por ai,
hahahahahahahahahaha!!!!!
Oh...... Jacinto!!!
-Fala seu mequetrefe f.... de uma égua, hahahahahaha
-JACINTO!!!!!!
-O QUE VC QUER? FALA!!!!!
-Sabe Jacinto, estou no casamento da minha sobrinha aqui na igreja.
-Sua sobrinha, aquela janeleira? Que dava pra todo mundo menos pra mim?
Hahahahahahahahahaha, fala pra essa megera que ainda ela vai arrumar
um trouxa na vida dela, um otário, quem sabe algum jegue se habilite
né? Hahahahahahahahaha
-JACINTO!!!!!
-O que é?
-É que estou no viva voz, não consigo desligar, entendeu?
-E que eu tenho a ver com isso? Estou atrapalhando algo?
-Toda a igreja está escutando a sua conversa, o padre disse que não
vai mais casar, os convidados estão horrorizados, a mãe dela desmaiou,
o noivo disse que ia ao banheiro e lá ficou, bem na hora de dizer o
SIM!!!
Acredito que não mais vai voltar, e você pergunta se está atrapalhando algo?
A minha sobrinha ficou louca, quer voar no seu pescoço, ela perguntou
onde vc está?
-Eu? Ah sim, perai, já me lembrei, estou na Groelândia na parte norte,
encostado do Pólo Norte.
Fala pra ela vir aqui conversar comigo e resolver seus pobremas, me
ajudar a derreter o gelo Ártico, hahahahahahaha
-Jacinto vc é um desalmado, irresponsável, psicopata doido!!!
-Eu sei, mesmo assim você me ama, né?
-SEU P...!!!!!! VAI SE F....!!!!!
-Ta vendo? Agora é vc que está falando besteira, eu to quetinho...............
Olha meu chapa, eu só queria saber mesmo se tem algum trampo pra mim,
sabe cumequié né?
Tem que por o leitinho na boca das crianças e umas cervinhas na boca
do papai, hahahahahahahaha.
-Jacinto, eu não agüento mais, me liga daqui a dez anos ta bem?
-Tudo bem patrão, o senhor é que manda, mas ligo de manhã ou de tarde?
-Jacinto, olha eu não quero falar uma incontinência verbal, sabe?
Queria te mandar para aquele lugar, mas eu não preciso te mandar, vc
já conhece o caminho e nunca sairá de lá.
ME ESQUECE JACINTO E VAI À MERDA!!!!!!!!
-Tudo bem patrãozinho.
Oras, carambolas, tem gente que não tem um mínimo de senso de humor, caracas!!!!
Eu eim?
Eita patrãozinho chato!!!!!!
divertidos, os deprimidos.
Dou preferência sempre aos otimistas, aos que tem alguma coisa a
acrescentar à nossa vida, aos nossos parcos conhecimentos, que nunca
chegam a ser suficientes nem do nosso agrado.
E nos trazer um pouco de alegria, para melhorar nosso estado de ânimo.
Uma figura da qual nunca vou conseguir esquecer foi um funcionário e
amigo sim, após tantos anos de trabalharmos e convivermos juntos,
acabamos por ter uma afinidade bem especial.
É o caso do Jacinto, um cara realmente inesquecível.
Uma vez, nos já afastados comercialmente fazia um bom tempo ele me
liga no meu celular.
Aviso: ele é um cara bom, nobre, bom coração só que desaforado,
impropérios na boca dele é como flores num jardim, florescem a
vontade.
Sempre eu falava: -Jacinto, melhora esse seu linguajar, temos ótimas
palavras em nosso idioma, não precisamos de apelação, nem de
aberrações lingüísticas, é só falar o correto, nada mais.
Mas ele tinha esse costume, de três palavras que falava pronunciava
quatro palavrões.
Era o jeito dele, ame-o ou deixe-o, não tinha outra solução.
Bem, eu atendi o celular e escuto:
Quem é?
O Enrique?
Fala seu p.... f. da p....!!!!!!
Como vc está?
E ai cara, e as minas, comendo todas as p.... ainda ou já deu um tempo?
Eu simplesmente respondi:
-Oh...... Jacinto
-Já sei seu corno, vc não agüentou mais e foi dar o c. por ai,
hahahahahahahahahaha!!!!!
Oh...... Jacinto!!!
-Fala seu mequetrefe f.... de uma égua, hahahahahaha
-JACINTO!!!!!!
-O QUE VC QUER? FALA!!!!!
-Sabe Jacinto, estou no casamento da minha sobrinha aqui na igreja.
-Sua sobrinha, aquela janeleira? Que dava pra todo mundo menos pra mim?
Hahahahahahahahahaha, fala pra essa megera que ainda ela vai arrumar
um trouxa na vida dela, um otário, quem sabe algum jegue se habilite
né? Hahahahahahahahaha
-JACINTO!!!!!
-O que é?
-É que estou no viva voz, não consigo desligar, entendeu?
-E que eu tenho a ver com isso? Estou atrapalhando algo?
-Toda a igreja está escutando a sua conversa, o padre disse que não
vai mais casar, os convidados estão horrorizados, a mãe dela desmaiou,
o noivo disse que ia ao banheiro e lá ficou, bem na hora de dizer o
SIM!!!
Acredito que não mais vai voltar, e você pergunta se está atrapalhando algo?
A minha sobrinha ficou louca, quer voar no seu pescoço, ela perguntou
onde vc está?
-Eu? Ah sim, perai, já me lembrei, estou na Groelândia na parte norte,
encostado do Pólo Norte.
Fala pra ela vir aqui conversar comigo e resolver seus pobremas, me
ajudar a derreter o gelo Ártico, hahahahahahaha
-Jacinto vc é um desalmado, irresponsável, psicopata doido!!!
-Eu sei, mesmo assim você me ama, né?
-SEU P...!!!!!! VAI SE F....!!!!!
-Ta vendo? Agora é vc que está falando besteira, eu to quetinho...............
Olha meu chapa, eu só queria saber mesmo se tem algum trampo pra mim,
sabe cumequié né?
Tem que por o leitinho na boca das crianças e umas cervinhas na boca
do papai, hahahahahahahaha.
-Jacinto, eu não agüento mais, me liga daqui a dez anos ta bem?
-Tudo bem patrão, o senhor é que manda, mas ligo de manhã ou de tarde?
-Jacinto, olha eu não quero falar uma incontinência verbal, sabe?
Queria te mandar para aquele lugar, mas eu não preciso te mandar, vc
já conhece o caminho e nunca sairá de lá.
ME ESQUECE JACINTO E VAI À MERDA!!!!!!!!
-Tudo bem patrãozinho.
Oras, carambolas, tem gente que não tem um mínimo de senso de humor, caracas!!!!
Eu eim?
Eita patrãozinho chato!!!!!!
Lembranças dum amigo
Quem pode esquecer uma pessoa que dedicou parte do seu tempo em te
agradar, te deixar sempre feliz e realizado com sua alegria,
amabilidade e simpatia?
Assim era o Walter quando o conheci em 1967, um jovem maravilhoso
cheio de idéias, de atenções e respeito por seus semelhantes.
Fui trabalhar com ele e de imediato nos tornamos em verdadeiros amigos
e colaboradores inseparáveis.
Nunca foi um patrão e sim um colega de profissão.
Após alguns meses virou o meu padrinho de casamento, sua fantástica
esposa nossa madrinha.
E após dois anos ele veio trabalhar comigo de vendedor.
Uma amizade já mais de 40 anos.
O que não posso esquecer era o jeito dele em nossa juventude, ele era
original, impossível.
Boa pinta, as mulheres o assediam e ele se refugiava em sua aliança de
casamento que exibia sem nenhum problema para não arrumar
compromissos.
Me contava que amava muito a sua esposa e não conseguiria trai-la.
Tal vez essa fosse a maior virtude que possuía, que pelo menos eu admirava.
Tinha seus defeitos como todo ser humano, só que as virtudes o superava.
.
Íamos direto nos barzinhos do Tatuapé curtir nossos conhaques.
É os feitios dele que quero relatar:
Certa vez na firma sobraram mais de dez camisetas em branco, e de
repente deu a louca nele de imprimi-las.
Fez a matriz, jogou tinta vermelha e uma vez impressas me pediu para
leva-las como doação numa casa vizinha que cuidava de velhinhos.
A turma tinha de 80 anos pra cima e lá fui entregar a encomenda gratuita a eles.
Me atendeu uma senhora idosa e entreguei o presente a ela.
Ela cuidadosamente abriu e adorou, passou então a distribuir entre
todos os participantes.
Fiquei um pouco lá atento e observando e daí uns minutos começaram a
aparecer os caras, homens e mulheres todo arrugadinhos, se
desmanchando em vida, castigados pela idade com a camiseta branca
mostrando em sua frente em letras grandes, vermelhas, garrafais
imitando fogo escrito:
TÔ Q TÔ
Todos adoraram, uma veínha centenária me perguntou o que estava
escrito e eu sem poder-me conter falei rapidinho que era uma marca de
refrigerante algo como “tome coca cola”.
E sai rapidinho para dar uma risada descancarada lá na rua.
Não agüentei a safadeza, muita maldade mas não menos original.
No fim a população agradeceu e gostou, e bem, os outros, que pensem o
que quiserem.
Quem sabe alguns deles não “estava que estava” mesmo?
Noutra oportunidade fomos no escritório da Vale lá na Av. das Nações
Unidas para tratar sobre umas faixas promocionais numa feira.
Na hora de descermos no elevador, 25 andares, calha de nos acompanhar uma moça.
Ela estava com cara de insana, algum problema estava acontecendo com ela.
Os olhos brilhando, a tez pálida, preocupada e massageando o ventre
dissimuladamente.
Quando de repente acontece o pior, ela solta um ar reprimido nada silencioso.
Nos dois ficamos pasmos esperando uma desculpa que não véio.
Foi ai quando pressenti o pior, e aconteceu mesmo.
O Walter estica o pescoço por trás da moça e olhando em direção à
buzanfa dela exclama em alto e bom tom:
-EU TAMBÉM TE AMO!!
Pra que, foi bolsa voando pra todo lado.
Uma infâmia.
No fim a conseguimos conter com algumas palavras.
Ela ficou triste e desolada, começo a soluçar.
Acabou o Walter tomando-a por um braço, conversando legal e ficou assim mesmo.
Parecia até que iria pintar um clima.
Só que sem condições, imaginaram se alguém fosse perguntar:
-E como é que vcs dois se conheceram?
Não tinha a menor chance, chegando no térreo ela sumiu de repente que
nem água na areia do deserto, sem deixar rasto.
O dia que fomos no zoológico ele, o irmão dele e o filho do irmão com
uns 4 ou 5 anos.
Chegando na jaula do tigre, o Walter pergunta para o pequeno:
-Olha se vc fosse nascer de novo querias ser um tigre feio como esse
ou aquele veadinho lindo e alegre que vimos na outra jaula?
-Eu queria ser um veadinho tio!
-Que bom, assim quando crescer serias um veadão que nem o papai.
-Sim quero ser um veadão que nem o papai!!
-Cala a boca Fernandinho, o tio está brincando contigo.
-Ta bom mas eu quero ser um veadinho!!
Isso custou algumas discussões na família, e eu rindo sem parar.
Um dia chega uma senhora com certa idade e pergunta para o Walter pela sua avó.
Ele responde: Ela está em casa descansando porque operou agora.
-Operou? Coitada e o que ela tinha?
-Fez operação do perineo.
-O que é isso de perineo?
-É a reconstituição do himen.
Como? Ela não tem uns 90 anos e ficou viúva agora?
-Por isso mesmo, vai que pinta uns loves e ela quer estar preparada pra tudo.
-Meu Deus! Manda um abraço pra ela e dá licença!
Eram mortais as repostas dele, só deboche, ou tal vez humor demais.
Claro que não era só bobagem que ele falava, tinha um filão romântico, poético.
Quando comentei isso que ele tinha algo de poeta, me respondeu:
-A poesia é o eco da melodia do universo no coração dos humanos.
Cara, respondi, estou fascinado.
Como último caso, contarei sobre uma moça morena muito bonita,
escultural que vinha todos os dias para conversar com ele na porta.
Sei que era caminho do trabalho dela e se engraço com a pinta do Walter.
Ai manteve umas conversas por quase um mês.
Certa vez ele a deixou entrar para conhecer a firma.
Ficou uns cinco minutos e foi embora.
Eu cheguei a comentar que poderia estar errado ele a deixar entrar
pois já era casado.
Respondeu-me assim:
-Enrique, se fechares a porta para todos os erros, também a verdade
permanecerá lá fora.
Confesso que fiquei sem palavras.
Quando ele de repente me confirmou que daria um jeito, não queria
plantar ilusões na cabecinha dela que aparentemente só pretendia
alguém para casar.
Dito e feito, ela apareceu na porta, após uns dois minutos de
agradável conversa ele sem dissimulo tira a aliança que mantinha no
bolso e coloca na mão.
Ela percebeu tudo na hora e começo a lacrimejar, ficou sem assunto.
Ai ele até filosofou com ela, tinha esse lado carismático e disse-lhe:
-Se choras por ter perdido o sol, as lágrimas não te deixaram ver as estrelas!
Pra que, ela abriu a torneira dos seus olhos.
Eu pensei, melhor assim que continuar com a farsa, ele estava
brincando com ela mas parou a tempo.
Nada se perdeu para sempre.
Telefonei pra ele semana passada para ver como a política o estava
tratando e se já se tinha candidatado para deputado federal ou outro
cargo
Respondeu-me de forma singela:
-Meu velho amigo, eu agradeço por não ser uma das rodas do poder, mas
sim uma das criaturas que são esmagadas por elas.
Bem, é bom relembrar o passado e o presente, tudo isto me traz a
certeza que a vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia
para os que sentem.
agradar, te deixar sempre feliz e realizado com sua alegria,
amabilidade e simpatia?
Assim era o Walter quando o conheci em 1967, um jovem maravilhoso
cheio de idéias, de atenções e respeito por seus semelhantes.
Fui trabalhar com ele e de imediato nos tornamos em verdadeiros amigos
e colaboradores inseparáveis.
Nunca foi um patrão e sim um colega de profissão.
Após alguns meses virou o meu padrinho de casamento, sua fantástica
esposa nossa madrinha.
E após dois anos ele veio trabalhar comigo de vendedor.
Uma amizade já mais de 40 anos.
O que não posso esquecer era o jeito dele em nossa juventude, ele era
original, impossível.
Boa pinta, as mulheres o assediam e ele se refugiava em sua aliança de
casamento que exibia sem nenhum problema para não arrumar
compromissos.
Me contava que amava muito a sua esposa e não conseguiria trai-la.
Tal vez essa fosse a maior virtude que possuía, que pelo menos eu admirava.
Tinha seus defeitos como todo ser humano, só que as virtudes o superava.
.
Íamos direto nos barzinhos do Tatuapé curtir nossos conhaques.
É os feitios dele que quero relatar:
Certa vez na firma sobraram mais de dez camisetas em branco, e de
repente deu a louca nele de imprimi-las.
Fez a matriz, jogou tinta vermelha e uma vez impressas me pediu para
leva-las como doação numa casa vizinha que cuidava de velhinhos.
A turma tinha de 80 anos pra cima e lá fui entregar a encomenda gratuita a eles.
Me atendeu uma senhora idosa e entreguei o presente a ela.
Ela cuidadosamente abriu e adorou, passou então a distribuir entre
todos os participantes.
Fiquei um pouco lá atento e observando e daí uns minutos começaram a
aparecer os caras, homens e mulheres todo arrugadinhos, se
desmanchando em vida, castigados pela idade com a camiseta branca
mostrando em sua frente em letras grandes, vermelhas, garrafais
imitando fogo escrito:
TÔ Q TÔ
Todos adoraram, uma veínha centenária me perguntou o que estava
escrito e eu sem poder-me conter falei rapidinho que era uma marca de
refrigerante algo como “tome coca cola”.
E sai rapidinho para dar uma risada descancarada lá na rua.
Não agüentei a safadeza, muita maldade mas não menos original.
No fim a população agradeceu e gostou, e bem, os outros, que pensem o
que quiserem.
Quem sabe alguns deles não “estava que estava” mesmo?
Noutra oportunidade fomos no escritório da Vale lá na Av. das Nações
Unidas para tratar sobre umas faixas promocionais numa feira.
Na hora de descermos no elevador, 25 andares, calha de nos acompanhar uma moça.
Ela estava com cara de insana, algum problema estava acontecendo com ela.
Os olhos brilhando, a tez pálida, preocupada e massageando o ventre
dissimuladamente.
Quando de repente acontece o pior, ela solta um ar reprimido nada silencioso.
Nos dois ficamos pasmos esperando uma desculpa que não véio.
Foi ai quando pressenti o pior, e aconteceu mesmo.
O Walter estica o pescoço por trás da moça e olhando em direção à
buzanfa dela exclama em alto e bom tom:
-EU TAMBÉM TE AMO!!
Pra que, foi bolsa voando pra todo lado.
Uma infâmia.
No fim a conseguimos conter com algumas palavras.
Ela ficou triste e desolada, começo a soluçar.
Acabou o Walter tomando-a por um braço, conversando legal e ficou assim mesmo.
Parecia até que iria pintar um clima.
Só que sem condições, imaginaram se alguém fosse perguntar:
-E como é que vcs dois se conheceram?
Não tinha a menor chance, chegando no térreo ela sumiu de repente que
nem água na areia do deserto, sem deixar rasto.
O dia que fomos no zoológico ele, o irmão dele e o filho do irmão com
uns 4 ou 5 anos.
Chegando na jaula do tigre, o Walter pergunta para o pequeno:
-Olha se vc fosse nascer de novo querias ser um tigre feio como esse
ou aquele veadinho lindo e alegre que vimos na outra jaula?
-Eu queria ser um veadinho tio!
-Que bom, assim quando crescer serias um veadão que nem o papai.
-Sim quero ser um veadão que nem o papai!!
-Cala a boca Fernandinho, o tio está brincando contigo.
-Ta bom mas eu quero ser um veadinho!!
Isso custou algumas discussões na família, e eu rindo sem parar.
Um dia chega uma senhora com certa idade e pergunta para o Walter pela sua avó.
Ele responde: Ela está em casa descansando porque operou agora.
-Operou? Coitada e o que ela tinha?
-Fez operação do perineo.
-O que é isso de perineo?
-É a reconstituição do himen.
Como? Ela não tem uns 90 anos e ficou viúva agora?
-Por isso mesmo, vai que pinta uns loves e ela quer estar preparada pra tudo.
-Meu Deus! Manda um abraço pra ela e dá licença!
Eram mortais as repostas dele, só deboche, ou tal vez humor demais.
Claro que não era só bobagem que ele falava, tinha um filão romântico, poético.
Quando comentei isso que ele tinha algo de poeta, me respondeu:
-A poesia é o eco da melodia do universo no coração dos humanos.
Cara, respondi, estou fascinado.
Como último caso, contarei sobre uma moça morena muito bonita,
escultural que vinha todos os dias para conversar com ele na porta.
Sei que era caminho do trabalho dela e se engraço com a pinta do Walter.
Ai manteve umas conversas por quase um mês.
Certa vez ele a deixou entrar para conhecer a firma.
Ficou uns cinco minutos e foi embora.
Eu cheguei a comentar que poderia estar errado ele a deixar entrar
pois já era casado.
Respondeu-me assim:
-Enrique, se fechares a porta para todos os erros, também a verdade
permanecerá lá fora.
Confesso que fiquei sem palavras.
Quando ele de repente me confirmou que daria um jeito, não queria
plantar ilusões na cabecinha dela que aparentemente só pretendia
alguém para casar.
Dito e feito, ela apareceu na porta, após uns dois minutos de
agradável conversa ele sem dissimulo tira a aliança que mantinha no
bolso e coloca na mão.
Ela percebeu tudo na hora e começo a lacrimejar, ficou sem assunto.
Ai ele até filosofou com ela, tinha esse lado carismático e disse-lhe:
-Se choras por ter perdido o sol, as lágrimas não te deixaram ver as estrelas!
Pra que, ela abriu a torneira dos seus olhos.
Eu pensei, melhor assim que continuar com a farsa, ele estava
brincando com ela mas parou a tempo.
Nada se perdeu para sempre.
Telefonei pra ele semana passada para ver como a política o estava
tratando e se já se tinha candidatado para deputado federal ou outro
cargo
Respondeu-me de forma singela:
-Meu velho amigo, eu agradeço por não ser uma das rodas do poder, mas
sim uma das criaturas que são esmagadas por elas.
Bem, é bom relembrar o passado e o presente, tudo isto me traz a
certeza que a vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia
para os que sentem.
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