Alguém viu a minha querida?

Lembro-me da tua pele morena, castigada pelo sol, os teus olhos, duas amêndoas, dos teus lábios, gosto de mel e paixão.
Dos teus beijos que sangravam os meus lábios, enquanto te contemplava extasiado,
te perdoando mil vezes e pedindo: Eu só quero é mais, amor.

Lembras quando de mãos dadas, o teu cabelo negro solto ao vento, corríamos na beira da praia e ríamos sem parar?

Depois em passos longos, eu via o teu sorriso aberto, com teus olhos brilhando forte sob aquele sol tropical.

Lembras do meu primeiro presente? Aquela caixinha com uma orquídea, um lazinho e um nó?
Tu me perguntaste curiosa e sorrindo: -E o cheiro? Tu o roubaste da minha flor?

Há...Há...Há... Respondi no entanto, acaso não sabes que a orquídea não tem cheiro, apenas elegância e cor?
Ela é simples, é pura, a fragrância está na tua imaginação.
Assim como o sentimento amoroso, que só existe em nosso coração.

Quando a noite se aproximava, sabíamos que estava na hora de partir.
O dia foi maravilhoso, mais agora estava no fim.
Eu via lágrimas no teu rosto, dizias que eram de alegria, mais eu bem sabia que era pranto de dor.
Mais uma semana ou quinze dias tal vez, e tu estavas sempre a me perguntar:
-Assim como as ondas do mar, que vão e voltam sem parar, tu me prometes amor, que logo, logo voltarás?
-Sim minha querida, eu sempre vou voltar.
Sempre..... Sempre......Sempre......



MENTIRA!
Certa vez, eu não voltei mais.

Quando voltei, muito tempo depois, já era tarde demais.
Cadê a minha querida? Ninguém sabe, ninguém viu.
Muitos anos tinham-se passado, será que ela ia-se lembrar?
Que iria me reconhecer após as neves do tempo os meus cabelos esbranquiçar?
Será que é certo acordar um velho fantasma?
Isso é coisa que se faz?
Aceitaria as minhas mãos rugosas que não mais lhe-dariam um carinho sensual?
E o meu coração, cansado de conjugar em todos os tempos o verbo amar?

Hoje, volto pra casa à tardinha, após mais uma jornada,
nunca desanimado, sempre com fé no amanhã.
Atravesso a velha ponte, o sol se pondo entre as nuvens, desenhando figuras e rostos que não canso de apreciar.
De pronto eu a vejo, é ela, bem fixo o seu olhar, me detenho no caminho
e grito sem parar: ESPERA, ESPERA, NÃO SE VÁ !!
Não adianta, ela se transforma em luzes e cores,
se desvanece anunciando a escuridão.
Então olho para o Céu e peço, meu Deus!! Não me leva hoje......
Tenho muito para sonhar, quero pensar no meu amor,
por favor....... Hoje não!!


Por tudo o que passei, por tanto que eu sofri,
alguém viu o meu anjo, a minha querida por ai?

O meu exame

Estava lendo algumas pinceladas de guerra, praias, médicos, exames, e lembrei de quando fui fazer o meu exame de próstata pelo SUS.
Fiquei esperando 2horas e 45 minutos para ser atendido, pouco antes de chegar a minha vez já estava me acostumando com os gritos, brados e alaridos que vinham duma sala contígua.
No fim percebi que era da sala dos exames e fiquei preocupado, também pudera, era a minha primeira vez, estava algo assustado, que nem noiva em noite de núpcias, sorrindo à toa só para disfarçar.
Aí chegou a minha vez, saiu um negrão guarda-roupa, 2 x 1 enfiando uma luva branca naquele mauzão que mais parecia uma garra de urso, olhou para minha cara com um cruel e sarcástico sorriso, e me avisou:-O senhor é o próximo!
Bem, nessa hora me lembrei do americano Maurice Greene, campeão mundial de 100 metros rasos que ganho a prova com 9.79 segundos, e não pensei duas vezes, dei meia volta e bati os pés nas costas de tanto correr. E acho que ganhei dele, devo ter feito 100 metros em 8 segundos. (A verdade, é que descobri um atalho.)
Pensei para mim, exame é necessário, agora sofrer.....já é opcional.
Vou marcar um novo exame, para daqui seis meses, quem sabe dê sorte e ache algum nanico especialista em proctologia.
Gente, cuidar do próprio patrimônio, além de ser o nosso dever, é a nossa obrigação!

Esquerda....Direita....Marchem!!

Esses esquerdistas facínoras, filhotes de terroristas, do proletariado burro.
Sedentos de poder, capazes de sacrificar toda e qualquer democracia para impor suas idéias subversivas.
Bem, assim é definida a esquerda geralmente por seus opositores.
A chamada direita, sempre disputando terreno contra o seu inimigo comum, a esquerda onipresente.
Mas nunca serão inimigos mortais, porque um precisa tanto do outro como o cristianismo precisa de satanás.
Entende-se por esquerda tudo aquilo que luta em benefício de um bem social, popular.
Em contra partida a direita seria quem está em defesa de bens privados, particulares, leia-se burguesia.
Antigos reis, suas castas e descendentes formavam as altas classes sociais, em conjunto com familiares, herdeiros, em fim um grupo de mandantes, fortificados, aliados à força militar, mesmo que sempre em minoria. Esse foi o início da burguesia.
A sua grandeza dependia da produção e mão de obra escrava, submissa dos seus subjugados. Quem era estes? A prole, ou proletariado.
Qualquer sociólogo ou pessoa menos entendida sabe das origens das classes e divisões do ser humano na escala social.

Assim como na história, a exploração do homem pelo próprio homem sempre foi uma constante. Vejamos as pirâmides do Egito, foram construídas por elementos escravos, anônimos, sem os quais elas, não existiriam. Todos os conquistadores na antiguidade procuraram sempre entre outras coisas, se proveerem de mão de obra escrava para realizarem as suas obras.
Isto é uma constante até os dias de hoje, existe no mundo inteiro como de forma bem nítida aqui no Brasil.

Os donos do dinheiro são e sempre serão os donos do poder.
Tem vassalos, empregados, serventes de todo tipo semelhantes aos escravos da antiguidade.
Evidente que um antigo escravo não tinha organização, sindicato nem defesa alguma. Hoje os empregados têm essas vantagens.
Mas, vejamos as diferenças sociais e gerais que persistem entre uns e outros.

PATRÂO: um ser bem apresentado, perfume importado, geralmente mais bonito, mas instruído, vive com mais conforto, carro de luxo, moradia idem, passeia melhor, se alimenta melhor, se veste melhor, desfruta mais e melhor das suas férias e da sua vida.

EMPREGADO: é totalmente o contrário, um ser atolado em dívidas, feio, cheira mal ou algum perfume nacional, baixa instrução, sem condução própria ou se for, de baixa qualidade, morador de periferia na maioria das vezes, trabalha nas férias para ganhar mais um pouco achando que faz um bom negócio.
Não desfruta de hotéis de luxo ou com alguma estrela, quando muito, à sua colônia de férias do sindicato, lugar com forma e cheiro de pobre.
Excursões em transatlântico? Quanto muito em ônibus superlotado até Aparecida do Norte para agradecer à Santa a cura do seu filho com leptospirose.

Tudo é diferente para ricos (nobres) e pobres (plebe)
Até o simples papel higiênico de pobre é uma lixa cinzenta enquanto o de rico é um branco aveludado.
TV de rico é uma tv a cabo, plasma de 42 polegadas.
Do pobre são aqueles decadentes e patéticos canais abertos numa tv antiga 21 polegadas com o tubo cansado após 10 anos de uso.
Geladeira de rico são duas, aço inox, freezer, sempre lotadas.
A de pobre uma só, enferrujada, com roupa atrás e sapatos para secar, vazia ou com alguns pescoços e pé de frango dentro. E é desligada à noite para economizar força.

Se no comércio a diferença é grande, imaginemos na saúde, por exemplo.
Rico atende-se em São Paulo no hospital Albert Einstein ou no Sírio Libanês.
Enquanto o pobre espera meses para ser atendido pelo SUS, e quando precisa de emergência vai parar nos corredores sem cama para aloja-lo e ainda agradece.

De que podemos chamar isto, de igualdade social?
Nunca teve.
Menos ainda num sistema capitalista.
Aí sim o ditado é: “Me diz quanto tens e te direi o quanto vales”
Não é a toa que pobre tem que viver unido para mitigar o seu sofrimento.
Igrejas de crentes vivem lotadas em sua maioria de seres humildes e carentes de tudo.
Na união é que encontram a força para sobreviver e a esperança de um mundo melhor.

Então a diferença é ou não brutal?
Pergunto: tem fim ou solução esse eterno desnível de qualidades de vida?
Utopicamente falando sim
Num socialismo construtivo.
Tal vez com bons propósitos, doutrinas, boa vontade, e disciplina, muita disciplina.

Este é o desafio que o ser humano deve travar consigo mesmo, na impossibilidade de mudar às suas origens, mudar o seu dia a dia até atingir o nível ideal de perfeição.
Após isto concluído sim, pode se preparar para conviver num mundo melhor, totalmente equilibrado e justo.
Com certeza, nada justificará a tal da esquerda, direita ou escravidão.


Obs.) qualquer semelhança com a vida real, sem ofensas pessoais.
O sentido de humor.......sempre será a melhor solução.

O MEU SITE

Sim, tenho um site comercial:
http://abaexpres.googlepages.com
Só que o celular é outro
8911-1244
Balaio do Kotscho
21/12/2008 - 23:29 Enviado por: Enrique Andres

Bem, última postagem da semana, tudo mundo viajando……..
Acabei ficando em casa me deleitando com as opiniões dos blogueiros.
Muitos abriram os seus corações, expressaram os seus sentimentos mais profundos.
Senti pena, alegria e satisfação.
Aliás, vejo agora que a finalidade de nosso amigo Ricardo era esta mesma.
A exposição, a concordância ou discordância de idéias.
Só que isto foi mais além, selou amizades, informou, acercou pessoas.
Muitas vezes a política foi um divisor de águas entre prós e contras.
É assim que deve ser, no confronto e na diversidade, conheceremos o melhor.
A liberdade de pensamento e expressão são o campo mais fértil que existe para o amadurecimento das nossas idéias.
Agora, nesta época Natalina nosso pensamento deve se elevar ao festejo do nascimento daquele que acreditou nos homens, de Jesus.
Discórdias e diferenças ficam de lado dando lugar ao sentimento de irmandade.
Li publicações que me enterneceram, outras abalaram as minhas estruturas.
Tal vez o Balaio tenha atingido o seu resultado supremo, de nos emocionar.
Senti-me o Pequeno Polegar, entre tantos gigantes.
Mesmo assim não me intimidei.
Pensei, não sou um mar de intelecto, mas, no meu peito bate um coração.
E ele me diz agora que somos todos iguais, no sofrimento, na esperança e na fé.
Todos nós temos os nossos problemas para resolver.
Uns maiores, outros menores.
Mas uma coisa fica ciente, dentro deste Balaio a sorte corre por igual para todos, afortunados ou nem tanto.
Nos entendemos, nos conhecemos, nos compensamos.
Apaziguamos nosso sofrimento.
Na verdade encontramos a paz.
Na exposição dos nossos problemas achamos a compreensão e a nossa esperança continua viva, cada vez mais.
Para todos, os integrantes desta orquestra, aonde cada um tem a sua participação especial e também para o nosso grande regente e diretor Ricardo Kotscho, pai desta obra, desejo que tenham umas Boas Festas reunidos no seio familiar e que possamos continuar a crescer e enriquecer-nos neste Balaio, hoje, amanhã e sempre.
Abraço a todos e FELIZ 2010
01/12/2008 - 13:57
Blog do publicitário que virou moto-boy
Quem começou com isso foi o xará Noblat, decano dos blogueiros jornalistas, que sempre recomenda outros blogs aos leitores.
Também faço sugestões de vez em quando e hoje tenho a satisfação de apresentar a vocês Enrique Andres, um publicitário que virou moto-boy depois dos 60 e também escreve um blog:

http://motoboy1000.blogspot.com/

Dono de um texto muito bom, pedi que ele mesmo contasse a sua história de publicitário a moto-boy, quando o prefeito Gilberto Kassab implantou em São Paulo o Cidade Limpa e levou sua empresa à falência.
A seguir, seu relato:
Tive firma de Comunicação Visual durante os últimos 40 anos, a Artec Visual, sempre na Moóca. Dava para sustentar cinco filhos, um bom carro, uma casa confortável.
Só que, depois da lei do Cidade Limpa, foi uma verdadeira catástrofe.
Tudo parou de repente. Tive que mudar com a família para uma casinha pequena no Brás, numa vila.
Pensei até conversar em com o prefeito sobre esse problema, mas quando vi o tratamento que ele deu a um colega de profissão, aquela agressão verbal ridícula num posto de saúde, que me doeu n´alma, pensei: eu, heim? Ir lá para ser agredido ou preso?

Ele teve uma decisão descomedida, radical. Foi muito insensível com o ramo publicitário. Lembro que declarou friamente aos publicistas: -”Façam outra coisa ou mudem de cidade”. Que chances caberiam para mim, por exemplo, com 66 anos? Recomeçar a vida como e aonde?

Pois bem. Este drama não foi vivido só por mim, umas trinta mil pessoas sofreram com isso. Cada um tomou um rumo, eu fui tentar a vida como moto-boy. Minhas três filhas suplicaram para que eu mudasse de idéia.
Falei para elas que estava decidido, seria um guerreiro do asfalto.

Meus amigos estranharam esta mudança radical, aí expliquei:
-Gente, o status não enche a barriga. Eu tive uma profissão honesta toda a vida, agora ela está falida. Vou estudar agora?
Imagino que na próxima gestão, quem sabe com o PT na prefeitura daqui alguns anos, eles terão com certeza mais sensibilidade e consideração com os profissionais que ajudaram a erguer esta cidade. Um pouco mais de respeito.
O que posso mostrar aos meus filhos e netos hoje?
Que sou um ex-integrante de um clã proibido, dum time perdedor.
Passei de empresário conceituado a um insignificante moto-boy .
E confesso: o tratamento recebido dói mais do que os buracos nas ruas ou do que a falta de dinheiro no bolso.
Mesmo assim, procuro ser bom no que faço. Mantenho a minha dignidade e na resignação encontro a paz.

Se propaganda faz mal, que seria New York ou Las Vegas sem ela? Nada.


Acredito, entre outras coisas, que a vida de moto-boy nos deixa uma ensinança: olhar sempre para a frente, não reparar nos lados, confiar que tudo vai dar certo, prestar o máximo de atenção em tudo que se faz, ter reflexos rápidos e precisos.
Tudo isso estimula nossos sentidos, nos deixa mais atentos aos detalhes, formas, espaços, sombras, luzes.São poucas coisas, enfim, que nos dão uma lição e uma conduta de vida: ser práticos, objetivos e ter sempre fé, muita fé. E a confiança em Deus que tudo vai dar certo.
Estou à tuas ordens e muito agradecido pela oportunidade.

Recebe um abraço para ti e tua família que te cuida bem,
Enrique Andres

A minha mulher trabalhando em casa no seu Pet Shop
e criando os seus York Shire
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O carro que eu tinha

(que conseguir)
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Alguns dias atrás, eu e o meu chimarrão
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Meu neto Vitor
Pequeno grande homem
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